#17 … no país da fotografia

Valter Vinagre, HúmusFundação D Luís I, Centro Cultural de Cascais


Húmus - Exposição de Valter Vinagre no Centro Cultural de Cascais


Retrospectiva dos últimos 20 anos de trabalho de Valter Vinagre, espalhada por 2 salas do Centro Cultural de Cascais. Não terá sido fácil a tarefa do curador
Alejandre Castellote, de escolher o que mostrar deste fotógrafo, que assumiu a aventura e o risco da diversificação para consolidar o seu trabalho no circuito artístico e comercial. Embora na visibilidade da sua obra pareça existir uma proeminência do género fotodocumental, o mesmo é praticado tendo em conta um conjunto de assumpções mais vastas e que parecem integrar algumas das preocupações derivadas das buscas que outros géneros fotográficos foram elaborando. O que nos é mostrado parece ser uma via possível de abordagem à amplitude temática com que o autor foi moldando o seu percurso, aqui predominando uma sensação de busca do sentido oculto e do misterioso (a morte, o sexo, o religioso), algo que se vê potenciado pela forma como as imagens estão dispostas, permitindo que o enigma se estabeleça, através de imagens de aparentemente simples recorte, mas que ganham uma nova dimensão narrativa pela estruturação proposta. O exercício de curadoria revela-se fundamental neste acto expositivo, pois são imagens que se retiram do contexto original em que foram produzidas e que ambicionam agora no seu conjunto alongar uma perspectiva mais funda sobre um pouco daquilo que tem sido a demanda e o devir da obra deste fotógrafo. Só me foi possível uma única visita à exposição, apressada já pelo encerrar do local, pelo que teria sido bem merecido um visionamento mais profundo e cuidado, facto que me leva a considerar estas breves palavras como potencialmente pouco justas, prejuízo que embora no qual talvez tenha já incorrido noutras situações, nada mais visa reflectir que a mera visão pessoal.

“LA MIRADA EN EL OTRO” , Galeria do Rei D. Luís, Palácio Nacional da Ajuda


Juan Fontcuberta, Momificaciones


Chema Madoz, Sem Título


Manuel Vilariño, Orixes


Ouka Leele, Peluqueria


P.P. Minguez, Torero-Cordero

Exposição colectiva dos prémios nacionais da fotografia espanhola, a primeira nota não pode deixar de ir para aquela que me parece pouco feliz divisão desta mostra, entre pés, corpos, mãos, cadeiras e sei lá que mais que os curadores decidiram “inventar” para a catalogar, quase apetecendo perguntar se estariam a ilustrar algum ditado português do tipo “meter os pés pelas mãos” ou se o simplex já invadiu a peninsula, por oposição à tão ubiqua e por vezes demasiada complexificação a que aspira certa fotografia contemporânea. Descontando essa minudência, vi-me perante uma mão cheia de pérolas, o que não significa contudo que se trate de mostra isenta de altos e baixos, mas que prenuncia uma enorme vitalidade e originalidade, talvez possível por uma ampla configuração que incluí todo um património histórico e artístico ímpar, bem com condições sócio-económicas e culturais bem diferentes das da realidade portuguesa, de modo que traçar aqui uma oposição aquela que parece ser a tendência nacional,
aparentemente muito menos alinhada com as questões da identidade ou cultura nacional, pode parecer um gesto relativamento injusto, quando não fútil. Relevo alguma ignorância perante o universo da fotografia espanhola, pelo que se tomada em conta exclusivamente esta exposição e desconhecendo os critérios de atribuição destes prémios, diría genéricamente estarmos perante um conjunto de fotógrafos cuja matéria prima base é a sua própria cultura, mas talvez seja apenas uma impressão derivada da forma como nos é apresentada, dedução a que o senso comum provavelmente não fugirá, pois que são reconhecidas ganas à forma como a nação castelhana evidencia e defende aquilo que é seu. Curiosamente dois dos mais conhecidos artistas no exterior, Juan Fontcuberta e Chema Madoz, são dos que nesta mostra menos evidenciam essa conotação claramente nacional. A par da mostra referente à Photo Espana 2009 de Cristóbal Hara e Mabel Palacín no Museu Berardo, uma excelente oportunidade para ficar a conhecer melhor a fotografia que vêm das nossas vizinhanças.

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Comments:

October 20, 2011

isso nao tem na ave com humus

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