#8 … no país da fotografia

X Bienal de Vila Franca de Xira

Importante certame da fotografia nacional, esta Bienal é um ponto de paragem obrigatório a quem se pretende afirmar no panorama fotográfico luso, folheando o catálogo de 1999 por lá estavam nomes hoje reconhecidos como Daniel Malhão, Valter Vinagre, Virgílio Ferreira, etc. Embora não tenha lido o regulamento (porque já não está online), não sei quais foram os critérios de selecção, mas é de acreditar que o amadorismo iniciado se mantenha de fora deste género de concursos, desse modo facilitando a tarefa ao júri, que se vê dispensado de analisar propostas pouco consistentes, mas e se é admitida a concurso uma dessas propostas, que por acaso (???) até o vem a ganhar? Do fotógrafo pouco se pode dizer, ambicionou-ganhou, é (quase) tão fácil como enviar um cupão, mas do júri? Que estava comprado (o fotógrafo em questão é de Vila Franca)? Que teve uma branca colectiva no acto de analisar aquelas fotos?  Quanto ao regulamento, não há uma alinea a impedir que os fotógrafos ganhadores dos anos transactos se voltem a inscrever no ano seguinte ou seguintes? Isto é algum campeonato de futebol de salão, com taças para todos os gostos e sempre com os mesmos concorrentes, que a avaliar pelo catálogo da competição se vão revezando nas participações e prémios? É também questionável o prestígio com que ficam os fotógrafos vencedores das edições anteriores face a estas políticas.

Mas vamos ao que interessa, que são as fotos, mencionarei brevemente algumas que me chamaram à atenção, da série de 6 com que cada autor podia concorrer:

afonso padilha
alipio padilha

Este trabalho de Alípio Padilha provocou-me sentimentos um pouco contraditórios, bom domínio da técnica fotográfica, mas creio não ter entendido a série no seu todo, são as vicissitudes de se ver uma exposição a correr, ainda assim sinal positivo. Depois de dar uma volta por este blog, talvez se faça mais luz.

manuel luis cochofel
manuel luis cochofel

A série “Youth” (que estava também exposta na Biblioteca Municipal em paralelo com estas fotos a concurso) de Manuel Luís Cochofel não deixou grandes memórias, um ou outro retrato interessante, mas o efeito de solarização vincado, creio não ter beneficiado esta série, ainda assim é notória na sua obra, uma vontade de experimentação ao nível do “efeito especial” (ver Infrared), portanto pode-se tratar de uma marca distintiva. Contudo há um pulular de géneros na sua fotografia, retrato, paisagem, fotojornalismo, arquitectura, grafismos, que não consigo descortinar bem em que linha se assume, talvez não seja essa a sua idéia, saúda-se o ecletismo. Sucedendo-se as técnicas e os géneros, a temática geral parece estar ligada a metáforas do contemporâneo (Rolling Lives, Tags), cujos trabalhos embora composicionalmente interessantes, no tratamento do contéudo parecem por vezes trabalhados de modo um pouco vago, ou então sou eu que me baralho por tanta variedade.

joao margalha
joao margalha

João Margalha foi prémio Fnac novos talentos em 2005, percebe-se através da fotografia qual é a filiaçao estética da mesma e o interesse no tema (Antenas é o título da série), dada a licenciatura e pós-graduação em Planeamento Urbano. Um documentalismo bem feito, neste caso não muito entusiasmante, embora tenha vistos coisas interessantes no seu site.

jorge graça
jorge graça

Belo trabalho de retrato sobre a família este de Jorge Graça, justamente mencionado com honra, as fotos falam por si.

marcio vilela
marcio vilela

Outro registo que me agradou, pelos vistos também ao júri, que mencionou honrosamente. Márcio Vilela, apresenta uma síntese bem conseguida entre a paisagem/natureza e os veículos/acção humana.

[Fotos retiradas, respeitando o pedido do autor, Da Maia Nogueira]

O drama desta Bienal, o vencedor ex-aequo da mesma Da Maia Nogueira, apresentou estas fotos, algumas delas desfocadas, acabamento da fotografia pb de má qualidade (mas isso seria mal menor se o resto fosse muito bom), planos de composição de fraco nível e os títulos das fotos… a segunda chama-se “filhos, um bem precioso”, a seguinte”leite, fonte de alimento”. Mas será que perdi alguma coisa? Entendo e aprecio o registo humanista, mas tirando isso, era mesmo necessário premiar esta desgraça? Coincidentalmente o autor vive em Vila Franca… si non é vero é benne trovatto.

irene gonçalves
irene gonçalves
irene gonçalves
irene gonçalves

Este foi o outro trabalho que obteve o grande prémio em ex-aequo com o anterior, uma série de 6 fotos de Irene Gonçalves, em que está tudo bem feito técnicamente, um registo com alguma poética, mas uma menção honrosa creio que serviria bem esta proposta, não o grande prémio.

luis rocha
luis rocha

Luis Rocha apresenta um fotojornalismo à la Magnum, quando bem feito – como é o caso deste trabalho – torna-se sempre interessante, embora o tema desta vez seja em tons mais leves e não com as infelizmente habituais desgraças africanas. Dado que se anuncia por aí a morte do fotojornalismo, veremos que derivações poderão estes autores enunciar futuramente nas suas obras. Menção honrosa.

catia aguiam
catia aguiam

Gostei bastante deste trabalho de Cátia Aguiam, que não teve direito a prémio. A proposta é forte, ilustrar o preconceito, a inveja, a vaidade, a arrogância, o assédio, o moralismo, etc, tudo isso ligado á identidade de género, perdão, do papel do género (gender role), não é propriamente uma tarefa fácil e se bem que o recurso à colagem tenha facilitado essa dinâmica, mesmo sem ela, as fotos sobreviveriam muito bem. Ironia, citação, conceito, técnica, estudo, tudo isso é visível, mas ou da colagem dadaísta ou da encenação ou duma consciência crítica directa, a la neorealismo, algo não colou bem no júri que não premiou esta mistura.

paulo roberto
paulo roberto
paulo roberto
paulo roberto

Alguém precisa de um calendário prá oficína? Paulo Roberto vende (vá lá, pelo menos não ganhou prémio). Proposta para novo workshop: como desgraçar fotografias com recurso a moças maravilhosas…

Colette Douillard
Colette Douillard

Numa versão masculina da proposta anterior, menção honrosa para esta série sobre o nú masculino de Colette Douillard, a título de curiosidade, ela e Paulo Roberto, inscritos na Bienal como representantes da Soc. Nacional de Belas Artes. Pelos vistos o nú masculino a dar cartas aqui pelo Bienal, é caso para desconfiar se não anda práqui o tal de lobby (gastei a piada homofóbica da semana)… e se as “belas artes” lusas não andam perdidas pela rua do desespero.

andreia lima
andreia quelhas lima

Se houvesse uma categoria de fábula do contemporâneo PB, a mim convencia-me esta série de Andreia Quelhas Lima, que nada ganhou.

João Grama
Rui Pedro Rafael

Menção honrosa para este trabalho de Rui Pedro Rafael (Iade), ilustrar um proposta com forte conteúdo arquitéctónico, com recurso a lentes de 35 mm não me parece boa idéia (como eu percebo a falta de fundos, o médio formato ficava aqui a matar…) as linhas aparecem tortas (a minha foto agravou isso), noutra vertente técnica, as altas luzes tem excessivo protagonismo nas fotos, enfim problemas técnicos que ainda assim deixam entrever um proposta conceptual que pode estar ligada ao abandono do trabalho produtivo, á reconfiguração do local, etc. Um trabalho interessante, mas não digno de menção, sobretudo devido a problemas técnicos.

Pedro Ramos Santos
Pedro Ramos Santos

Pedro Ramos Santos (Iade) enganou-se na porta, os estudos cromáticos da fotografia são avaliados no Bes…

José Gomes Oliveira
José Gomes Oliveira

Afinal não havia engano não, o Bes é mesmo aqui, menção honrosa para este exercício escolar, pelos vistos começa a fazer escola a premiação dos usos estratégicos da fotografia.

A fotografia é uma excelente ferramenta de expressão criativa, embora nem todos tenham ganho prémios, todos saíram (saímos) beneficiados. De realçar positivamente o apoio e a visibilidade que o municípo vilafranquense concede à fotografia, com várias exposições a decorrer em paralelo noutros espaços do concelho. A acabar a tarde ainda visitei o Museu do Neorealismo, edificío bonito do arq Alcino Soutinho, aberto ao público desde Outubro de 2007, numa visita bem agradável à história desse movimento na arte portuguesa, sendo contudo conveniente deixar o cartão do partido á porta, pois entra-se em território maioritariamente vermelho.

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Comments:

Da Maia Nogueira
December 15, 2008

Caro João Henriques! Agradeço desde já o cuidado criterioso, na avaliação dos trabalhos propostos a concurso, na X Bienal de Vila Franca de xira. Deixe-me no entanto referir alguns aspectos que me parecem pertinentes. Primeiro, mas cmpreendendo-se ser ainda um estudante de fotografia, se vc pretende dar relevo á qualidade dos pb, não deveria ter fotografado as fotos em exposição com recurso a flash, advindo daí, uma qualidade ao nivel do tratamento da cor, que não corresponde á verdade. Ponto dois, deveria sua excelência saber que não é permitido nem tão pouco éticamente correcto, fotografar trabalhos apresentados em exposições, advindo daí a possibilidade de uso não adequado, das imagens feitas, como foi o caso. Ponto três, ao colocar on-line as fotos exectudas por vc, no momento da visita à x bienal de vila franca de Xira, estar a incorrer em infração no que diz respeito á lei de copyright, numa primeira fase minha e depois dos trabalhos premiados, pertença da Câmara municipal de Vila Franca de Xira. Ponto 4, parece-me extremamente desagradável questionar a idoneidade e competência de avaliação, por parte de um Juri, composto por seis elementos e entre os quais, nomes como eduardo Nery e américo Silva, fotógrafos com todo um trabalho conhecido e que atingiram um ponto muito mais alto, nesta arte, que serem meros e eternos, estudantes. Ponto 5, gostaria de alguma forma de contribuir para a sua formação, informando-o que uma imagem, num formato de 90*60(cm), nunca deverá de ser visualizada a menos de 2,5 metro do ponto de vista do observador. Recomendo vivamente a leitura da obra intitulada " Reflexões sobre Fotografia " onde conhecimentos deste indole, empiricos e básicos se encontram explanados! Ponto 6, ao me dedicar de alma e coração á fotografia, pretendo através das imagens retratar o que vejo e sinto, sendo por isso a avaliação reportada sobre a imagem como imagem e não uma avaliação de titulos mais ou menos bem conseguidos, ou será que a Bienal sem meu conhecimento, passou a ser um concurso misto de fotografia e poesia. Mais uma vez grato pela sua análise e recomendando que vá fotografar, para que talvez saia vencedor na XI Bienal de Vila Franca de Xira, uma vez que até é residente numa das freguesias desse Municipio, Alverca!!!!! Não é mesmo

Joao Henriques
December 16, 2008

Caro Da Maia Nogueira, Efectivamente não fui muito criterioso na análise nem é esse o meu objectivo aqui, sou parcial no que escrevo, não somos todos? Vi a exposição duas vezes e emiti a minha opinião que é sempre contestável, embora dos fotógrafos com quem falei existisse unanimidade, o seu trabalho era por todos considerado dos mais fracos a todos os níveis. Talvez nenhum de nós tenha legitmidade para o fazer, indiferentemente do estatuto de estudante ou qualquer outro, embora todos tenhamos direito à opinião, ainda assim discordei, como reparou, da maioria das atribuições de Vila Franca e não apenas da sua. Quanto ao que alude, não fotografei com flash, os reflexos que se vêm são das luzes da sala, portanto a distorção na côr resulta de outros factores que não esse, principalmente das suas fotos terem saído da impressão com tonalidade magenta, o que para um PB não é correcto, como pode confirmar o mesmo não sucede com as outras fotos que tirei. Quanto ao não ser permitido fotografar em exposições, na sala ninguém levantou problemas e o mesmo acontece hoje na generalidade das exposiçoes, quando não é permitido fotografar, simplesmente não fotografo, não vejo qualquer drama ético nisso, toda a gente tira fotos em todo o lado, se não fosse permitido, acredite que não andava a tirar fotos às escondidas só para publicar aqui. Não vejo como possa ter sido feito um uso desadequado das suas imagens, antes pelo contrário, não ilustrei com elas nenhum artigo que não estivesse directamente relacionado consigo e com a exposição em que participou. Haveria falta de ética sim, se as tivesse tirado contra vontade expressa da organização, ou se, ao publicá-las, não tivesse dado o crédito ao autor, ou ainda, as utilizasse para outro fim que não esse e sem o devido consentimento. Creio que fui mais longe ainda, falando do seu trabalho, pior seria dizer mal pelas costas, mas nestas épocas de politicamente correcto é difícil fazer afirmações de frente. No entanto, se de todo não lhe agrada a publicação das mesmas, posso retirá-las, o trabalho é seu e acho que deve ser soberano sobre isso. Agradeço as notas formativas que me dedica, é sempre bom aprender. Devo dizer que apreciei o registo humanista das suas fotos, não apreciei foi o resto e disso fiz nota, não tome as coisas pessoalmente porque como ser humano merece-me todo o respeito, nem é questionável a sua dedicação á fotografia, apenas acontece que não misturo obras com pessoas. No que diz respeito às "avaliações" própriamente ditas, efectivamente aludo à idoneidade do júri, para sair dali premiado um trabalho como o seu, é de questionar, sem dúvida, mas critérios são critérios e na arte eles são sempre parciais. Se todos concordássemos em tudo, seria muito pior. Repito mais uma vez, nada me move contra si ou quem quer que seja, quanto aos seus argumentos, espero ter-lhe apresentado o meu ponto de vista sobre eles, apenas esclarecendo-o, não pretendendo ter razão, ganhar nenhum combate ou impor a minha verdade. Percebo que não esteja contente com o que disse do seu trabalho e por aí tenha tentado também ir buscar algumas considerações que a ele não aludem, colocando em causa a minha capacidade para discernir ou analisar, esteja à vontade, nunca me considerei o último expert, aliás tem todo um júri por trás de si, que contraria tal tese. Grato pelo seu comentário João Henriques

Da Maia Nogueira
December 16, 2008

Caro João Henriques! Grato Pela resposta ao meu comentário! Em abono de verdade, agradecia a retirada das imagens postadas por si, no tudo o mais e por viver-mos graças a Deus, num sistema livre e democrático, onde o direito á opinião é válido e de saludar, tudo bem! é a sua opinião e fruto da sua análise parcial. Gostaria de algum modo evoluir. Visto estar na presença de alguém que domina a arte e técnica fotográfica, quando tiver algum workshop, agradecia o envio com informação do mesmo! Com as mais cordiais saudações e desejando imensas imagens de qualidade. ASS: Da Maia Nogueira e-mail:damaianogueira@gmail.com URL:http://www.flickr.com/photos/maianogueira tel:+351 91 237 0 654

Joao Henriques
December 16, 2008

Caro Da Maia Nogueira, Conforme solicitado, as fotos foram retiradas. Agradeço os seus posts, desejando-lhe não só as maiores felicidades fotográficas como também pessoais. De modo algum sou perito na fotografia, mas como bem afirmou, apenas um estudante que ambiciona a saber mais, criei este blog para partilhar das minhas aprendizagens, não com o objectivo de ensinar alguém. Agradeço sempre todas as correções que me possam ensinar não só a ver melhor como a transmitir adequadamente aquilo que vejo. Mais uma vez grato, saúdo também com cordialidade Joao Henriques

December 16, 2008

Caro Joao Henriques! Obrigao por ter retirado, as imagens, já que a qualidade apresentada, depois de colgadas na net, nao correspondia á verdade exposta. Neste post, aproveito ainda par lhe endereçar os meus parabéns pelos seus registos fotográficos, mormente na série andanças e Jazz, MUITO BOM. Aprecio imensa imenso a sua forma de fotografar, os mais sinceros parabéns. Abraço a Carlos barreto, mestre do contrabaixo, bem como a Mário Delgado ou Paulo Bandeira, virtuosos musicos, que conheci no bar de Jazz em Aveiro,m Chamado tokaqui. Bos festas para si e toda a sua familia, com muita paz luz e amor. Bem Haja ASS: Da Maia Nogueira e-mail:damaianogueira@gmail.com URL:http://www.flickr.com/photos/maianogueira tel:+351 91 237 0 654

Rafael Matos
December 29, 2008

Olá caros João Henriques e Da Maia Nogueira, é com bastante agrado que verifico existir uma dinâmica vibrante em torno da arte fotográfica, com o respectivo assomo de talentos ou pelo menos de provas de esforço de natureza "artística". Especializei-me em Imagem no curso de cinema da estc (antigo conservatório nacional), sou fotografo de formação e realizador em inicio de carreira i.e. a minha especialidade é o fotograma. E o seu respectivo conteudo... Este conteúdo pode (deve) ser informativo, estético e simbólico. A boa foto é aquela que nos reporta a locais remotos da nossa consciência. Cada individuo edifica assim o conteúdo simbólico de cada foto. I.e. para cada um a mesma foto simboliza ou desperta diferentes emoções, sensações, recordações. Roland Barthes denomina como punctum esse poder da fotografia. A verdadeira foto, aquela que pára o tempo, aquela que cria uma espécie de antecipação da morte, pois aquele que está impresso está eternizado mas também como que pré-morto. A foto é o tempo congelado, essa é a verdadeira força da foto. Quando a foto é bela, pode transportar todos os seus espectadores para o mesmo idílico local. O que não a torna necessariamente melhor que as outras, mas facilmente pode ser considerada como tal, por muitos. É o cliché e a sua reconhecida eficácia. E é neste ponto que penso existirem grandes equívocos, confunde-se técnica com esvaziamento simbólico, confunde-se amadorismo com perseguição da verdade absoluta, condunde-se pose com emoção e assim por diante. Enfim é a chegada dos tecnocratas e do fogo de artifício ao mundo da fotografia (mesmo a calhar )digital. Eu estive presente por mero acaso nessa bienal, e vi as fotos em discussão aqui no fórum. Concordo em parte com algumas apreciações feitas por si João Henriques, mas constatei igualmente que provavelmente pertence ao imenso grupo dos alienados da técnica, um grupo que por imaturidade, escassa sensibilidade ou outros desvios, consideram a técnica o avalizador supremo da qualidade fotografia. Com todo o respeito e na minha modesta opinião, alguns trabalhos expostos nessa exposição deveriam ser queimados. Alguns eram imitações grosseiras de Nan Goldin, sempre defendidas por muita técnica, outras de Huwe Kempen e assim por diante. É triste de facto. É o assomo absoluto da técnica versus conteúdo, em que este quando existe é tão simplista que não sei se hei-de chorar ou rir. Exemplo do trabalho de Cátia Aguiam, perfeito em colorometria e luminancia, e plasticamente interessante mas o seus conteúdos reflectem experiência visionada, mas não a experiência vivida, aquela que é determinante na expressão do Punctum. Logo as fotos não serem mais do que clichês derivado da cultura MTV/TV. Isto para não falar de Antenas e Rouloutes abandonadas... O que se deveria pedir a cada fotógrafo é que escrevessem sobre cada foto 3 páginas de dissertação válida. Aí poderiam tirar-se as teimas de forma mais justa. A técnica é essencial a um bom trabalho, não há duvida quanto a isso. mas a técnica dever ser o veiculo de expressão da verdade. Não deve ser utilizado como ferramenta de mesmerização, para deslumbrar os mais incautos. Isto para dizer, que concordo com o vencedor Da Maia Nogueira. Quanto a mim os jurís ao invés de comprados, sabem exactamente o que estão a ver e isso apraz-me e faz me respirar de alívio. Explico melhor: as fotos são absolutamente verdadeiras. O desfoque referido a meu ver simboliza o desespero do jovem pré-morto antagonizado pela perenidade da arvore. Por exemplo...Não é necessariamente um erro. Felizmente alguém percebeu isso, senão mais prémios para o fogo de artíficio seriam atríbuidos! Os melhores Cumprimentos Rafael Matos

//cátia aguiam//
January 19, 2009

Dei sem querer com o seu blogue, e antes demais queria agradecer todos os comentarios, achei-os muito interessantes assim como a discussão!! Aproveito também para informar que em relação ao regulamento uma das normas é, o candidato ter de apresentar no minimo 6 imagens, como tal o meu trabalho nem sequer foi a concurso. Esteve exposto, pois foi por ter sido a convite. Em relação aos comentarios do caro Jorge Henriques, não esteve assim tão longe de compreender o meu trabalho. o próprio começou por ser uma critica á geração MTV, mas depois na sua execução ganhou outra vida e acabou por se tornar um pouco mais que isso, penso eu de que... Não fiz uma dissertação de 3 páginas , mas tive o cuidado de enviar um texto apresentativo, que pode encontar no catalogo da exposição. E por favor não queime o meu trabalho!! abraços,

//cátia aguiam//
January 19, 2009

João Henriques, peço desculpa pela minha falta de atenção!! E obrigada!:)

Joao Henriques
December 16, 2008

Muito obrigado. Boas festas também para si e família.

Joao Henriques
December 29, 2008

Obrigado Rafael. Das opiniões contrárias e contraditórias saem sempre novas sinteses, é mais isso que me move do que propriamente ganhar o argumento, no entanto reconheço que é tentador emitir uma opinião, pensado que a mesma é defensável. Esta pequena polémica com o Da Maia Nogueira fez-me repensar esse aspecto. Quanto ao que afirma, é a sua opinião, válida, nominal ao invés do anonimato, fundamentada, aceito-a e valorizo-a por isso, embora me aduza em alguns pontos que eu não foquei, o que agradeço, não me desvia do essencial no que escrevi, ainda que conceda em que estou sempre disponível a mudar de opinião, não faço questão na inflexibilidade. Saudações, João

Joao Henriques
January 19, 2009

Quando se refere a Jorge Henriques, o meu nome é João Henriques. Não fui eu que sugeri a dissertação ou "queimei" o seu trabalho mas outro comentador, pelo contrário o seu trabalho foi dos que gostei mais.

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