about cats & dogs…


Pluto, o amigo dos gatos, foi-se de vez. Desconfio que inclusivamente se achava um gato, tal a quantidade de vezes que o vi a tentar aproveitar-se da companhia felina, para propósitos menos “claros”. Feita a homenagem, já a Dona Luísa – a minha simpática senhoria – se encarregou de me arranjar outra companhia canina. Desta feita é um cachorrito, mais amigável que o Pluto, esse que de vez em quando gostava de ferrar o dente. O ar deste parece pouco talhado para as tarefas de guarda que lhe pretendem confiar, assim que vê alguém derrete-se todo, portanto acho que estou bem entregue.

Mantendo o registo “animalesco”, vamos agora um pouco até à fotografia, mais concretamente até 2 livros, o primeiro de Jörg KoopmannCat Seen“, onde se agrupam casas com inscrições nas paredes, deixadas por grupos de voluntários que procuraram salvar animais domésticos, no pós-furacão Katrina (em New Orleans), e fotografias de animais que o autor foi captando noutros locais do mundo. Noções de cuidado e (des)respeito pelos animais parecem ganhar protagonismo neste trabalho, com imagens que percorrem uma série de eventos mais ou menos felizes, da interacção entre humanos e animais. A compaixão é evidente na forma de mostrar os animais, contrastando com a forma fria e seca com que nos são apresentadas as casas onde os animais foram abandonados pelos seus proprietários. Um trabalho de registo documental, diferente da encenação e fábula como os já aqui apresentados Amy Stein e Mikel Uribetxeberria, por exemplo, embora no fundo as questões que se levantem em ambos sejam idênticas.

Um outro livro presenteia-nos com um estranho problema: como fotografar um cão preto. Erik Kessels tem vindo a publicar um interessante conjunto de fascículos designados “In Almost Every Picture”, baseados em fotografia encontrada no imenso mar do vernacular. Neste número 9 desta sequência de publicações, uma câmara tecnicamente fraca, um fotógrafo domingueiro e um tema algo “escuro”, formam uma sinuosa mas esteticamente atraente narrativa, onde o álbum de família assume uma figura central, ainda que alegoricamente se questione a
capacidade da fotografia para “mostrar” o que quer que seja. Ficamos sem ver a cara do bicho, mas viajamos sorridentes no tempo da fotografia, embalados por um misto de ternura e falta de jeito.

EN

Pluto, the cats’ friend, is gone for good. In fact, I have a feeling that he thought of himself as a cat, judging by the many times I saw him trying to take advantage of feline company, for less “clear” purposes. Having paid my tribute, Dona Luísa – my kind landlady – already made sure I had another canine companion. This time a little puppy, friendlier than Pluto since he liked to sink his teeth now and again. This one doesn’t seem to fit the guardianship tasks to be expected of him. He melts as soon as he sees someone, and therefore I think I am in good hands (paws).

Still on the “animal” track, lets move to photography for a while, more precisely 2 books, the first by Jörg KoopmannCat Seen“, where he gathers houses with wall inscriptions, left by groups of volunteers who seek to save domestic animals, during the post-Katrina (in New Orleans), and photographs of animals that the author has been capturing in other places in the world. Notions of care and (dis)respect for animals seem to take a leading role in this work, with images that go through a series of events more or less happy, of the human and animal interaction. Compassion is obvious in the manner animals are shown, in contrast with the cold and distant manner in which the houses where the animals were abandoned by their owners are shown. A work of a documental nature, different from the staged and fabled ones previously presented here Amy Stein e Mikel Uribetxeberria, for example, although the questions raised might be identical in both.

The other suggested book presents us with a strange problem: how to photograph a black dog. Erik Kessels has been publishing an interesting set of books called under the tag “In Almost Every Picture”, based on photographs found in the immense sea of vernacular. In this 9th issue of the publishing sequence, a cheap camera, a Sunday photographer and a somewhat “dark” theme, make up a winding though aesthetically attractive narrative, where the family album assumes a central role, although it might question the ability of photography to “show”. The pet’s face remains unseen, but we happily travel through the times of photography, gently rocked by a mixture of tenderness and inability.

Tradução da Nica Paixão, especialista em cães e gatos!

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