alec soth & martin parr


“How to answer that? Fundamentally, the work is about wanting to run away. And you would say, “Why would you want to run away, Alec? You’ve got a wife, two kids, nice house.” Comfortable—what is that? I don’t know what it is, but it’s something that a lot of people have. Then you go out looking, and you see these lives. It’s something like, “Yeah, okay. You have the cave and it’s nice. You sleep with the dog, and …” But, over and over again, you do see real misery. So then you’ve witnessed the fact that, with these people, something’s broken and that more often than not, there is a real hunger to engage with me. So, if I were to really leave my life, I would desperately miss it, and people. It’s a case of the grass is always greener. It’s both being attracted to it, and then when you’re in it, a bit repelled.

Alec Soth, desmontando a carreira. Admiro este fotógrafo, pela forma genuina como se expõe nas (milhentas) entrevistas que vai dando, em que a vida se funde com o trabalho e onde sempre se lê algo de interessante, mesmo a confissão final de que deseja ser “loved and adored by millions of people“. Depois, gosto do seu trabalho, ou melhor, de alguns dos seus trabalhos, ou como dizia um amigo meu “gosto de cenas, não de filmes”. Que nalguns casos, quase parecem ser “fretes”, mais fracos que os projectos pessoais (Sleeping with the Mississipi, Niagara, Last Days of W, Dog Days e brevemente Broken Manual), mas em todos eles se revê a lição de que a fotografia, podendo ser uma coisa banal, quando editada de uma determinada forma se torna num objecto especial, pelo que é nos livros que parece residir a sua maior paixão, é esse o seu meio, não tanto o das imagens bonitinhas para encher sala e galeria.

Ainda dele, uma história com arte e graça: pensando em fotografar em Brighton-UK, por ocasião do convite feito pelo director da bienal local, Martin Parr, foi-lhe recusada essa possibilidade por não ter visto de trabalho, segundo os serviços de estrangeiros locais (a barba à taliban também não deve ter ajudado). Como a polícia o ameaçou com prisão se o apanhasse a fotografar, “serviu-se” da filha de 7 anos para concretizar o projecto, e assim, será uma menina que irá ser exposta na bienal, pois foi ela que tirou as fotos, numa história deliciosa que pode ser lida aqui. Ou vista no video abaixo.

[vimeo 15438368 600 405]

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Comments:

October 9, 2010

E assim nasce uma fotógrafa... Deliciosa essa história! Mas, só para ser um pouco mau, reparei num pormenor: a foto que a menina não viu... :-) http://img219.imageshack.us/img219/2883/homemdasjanelas.jpg

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