Arte, Política e Activismo

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Este post de edward_winkleman  discute como o resultado de um trabalho que se proponha mudar opiniões acerca de um assunto político pode ser considerado como propaganda, logo deixando de ser arte, e um outro, apresentado tão honestamente quanto se possa acerca daquilo que se vê, tenha então o seu estatuto legitimado como trabalho artistico, tudo estando dependente da intencionalidade do artista na sua elaboração. Exemplifica a sua tese recorrendo ao trabalho de um artista iraniano A1ONE Urban Communication in The way of an Iranian گرافیتی que afirma “I am not about politics. But i am interested on social subjects”.

A questão da intencionalidade é fulcral, mas complicada é sem dúvida a percepção sobre a intenção, ou não será esse o maior jogo de equívocos? Em que momento é essa intenção gerada? De que forma é alimentada? É clara e assumida ou o contrário? Mesmo sendo-o, está o receptor na posição de a receber de forma neutra ou está logo à partida concatenado pelas suas próprias intenções?

O que parece também ser explorado neste post é a percepção – negativa – daquilo que é política, na sua expressão corrente entendida como algo que é subjectivo, distante das inconveniências e que se faz de acordo com os objectivos de uns tantos, em detrimento de outros. À semelhança da política, a arte proselitista, que visa impedir o pensamento autónomo, parcial, manipuladora da verdade, deverá ser rejeitada em favor da arte com qualidades opostas às descritas. Deixando de lado os adornismos de que toda a arte é política, pois haverá sempre quem diga que sim e o contrário, não parece tanto estar em causa a política ou a arte, antes a forma como é feita, ou a intenção. Parece não existir dúvida que uma das funções da arte será a de servir a um mundo melhor, assim sendo, de que intenções poderá a arte servir-se para atingir esse fim, que não sejam a capacidade de permitir que cada um tenha as suas próprias experiências, que cada artista siga a sua verdade interior, que simplifique, abrindo espaço à experiência, que permaneça numa atitude positiva, que sirva o Outro, que partilhe uma visão, que busque sinergias e que com elas se possam expressar alegria, amor e liberdade? Não vejo como isto possa ser político, mas também não vejo como possa deixar de ser…

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