BesPhoto 2009

André Cepeda, Filipa César e Patrícia Almeida são os artistas seleccionados para a sexta edição do BES Photo. O júri de selecção destacou André Almeida pela “consistência de apresentação de dois projectos que retratam realidades e contextos sociais que denotam um amadurecimento notável das formas expressivas do autor”, tendo sobre Patrícia Almeida realçado “o olhar pessoal e atento da artista sobre um contexto social específico” patente em ambas as exposições pelas quais foi seleccionada. O júri salientou a importância da publicação do livro de autor de Patrícia Almeida no âmbito do projecto “Portobello”. Notícia completa aqui.

Não vi o trabalho de Filipa César, mas observei as exposições que resultaram na nomeação dos outros dois autores, sobre as quais me debrucei na crónica #1 … no país da fotografia. Para que se possa ter uma idéia acerca do que escrevi e também sobre o teor dos trabalhos, ficam algumas imagens de Patrícia Almeida e do projecto “Portobello

e também algumas do projecto “Ontem”, através do qual André Almeida foi nomeado.

Os 3 artistas nomeados poder-se-iam encerrar na categoria “Emergentes” na sua acepção mais real, ou seja, pertencem a um grupo que embora ainda pouco conhecido/consagrado já apresentam trabalho consistente há algum tempo, reunindo algum consenso nas “bolsas” de curadores, galerias, centros de arte, etc.  Visa esta diferenciação distinguir da iniciativa “Emergentes” que ocorreu em Braga, que mais se tratou de uma mostra de “novos talentos”, alguns dos quais poderão vir a ser considerados Emergentes num futuro mais ou menos próximo.

Devo dizer que gostei do projecto “Portobello”, o qual foi responsável pela nomeação de Patrícia Almeida, embora considere que fosse dispensável o slideshow, mas o resto era tão bom que com ele ou sem ele, seria sempre uma grande exposição. Não menosprezando nenhum dos outros autores, André Cepeda, aliás curiosamente nomeado por uma exposição que ocorreu em simultâneo com a de Patrícia Almeida na Zé dos Bois (curador Natxo Checa), mas dizia eu, neste fotógrafo foi premiado o amadurecimento das formas de expressão, o que pode ser lido como uma forma indirecta de afirmar que até agora era um trabalho algo “verde”. Tendo também sido nomeado pela coerência, devo dizer que o projecto “Ontem” me pareceu algo de pouco coerente, face à profusão de situações difusas que nele ocorrem, que dizem respeito à utilização da teatralidade, da encenação, da iluminação, da utilização de um registo que utiliza património, retrato e emoções, conduzindo a um não se percebe o quê, se é documental, ficcional, narrativo, etc, algo que mesmo a folha de sala não consegue consolidar. Utilizar de forma tecnicamente correcta o médio formato e expôr umas fotos grandes numa sala, pode parecer hoje em dia que é critério de qualidade, mas quando fotógrafos afirmam que usam este ou aquele tipo de equipamento, mais parece que tendem a valorizar o trabalho pela forma que propriamente pelo conteúdo. Não que não existisse conteúdo neste projecto, mas a sua coerência não aparece como algo muito evidente. Eventualmente o outro projecto pelo qual também foi nomeado tenha suportado este, mas como  não tive oportunidade de ver ambos, é sempre algo injusto classificar as coisas desta forma. Sobre Filipa César, nada vi, e o trabalho que encontrei na Net não me permite avalizar desta nomeação. Sem qualquer dúvida estamos na presença de três novos valores aos quais haverá que prestar atenção no futuro, e só por isso é meritória qualquer destas nomeações.

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