entrevista com cátia aguiam

Cruzei-me com este trabalho de Cátia Aguiam na última Bienal de Vila Franca, em Novembro passado, acontecimento sobre o qual escrevi neste  post, tendo surgido a oportunidade de uma pequena entrevista com a autora, abaixo reproduzida.

ABP – Começo por desfazer o equívoco de ter pensado que este trabalho que apresentaste na Bienal de Vila Franca  estaria a concurso, pois não notei que se tratavam apenas de 4 imagens quando o regulamento pedia 6 para poder concorrer aos prémios. Como é que surgiu o convite para lá expôres?

CA – Este trabalho – Família – faz parte do meu projecto de final de curso na ETIC, na área de fotografia criativa. Na altura da apresentação do trabalho ao júri convidado, a escola decidiu que seria eu a representá-la na Bienal de Vila Franca de Xira, como aluna do ensino profissional. Para mim foi um privilégio que funcionou também como um incentivo a continuar com estes tipos de projectos. Foi também importante porque deu um pouco de visibilidade ao que faço.

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ABP – Como é que surgiram estas imagens?

CA –Explicar como é que uma ideia surge nunca é fácil para mim, mas vou tentar! Não posso negar que o que faço, o resultado final, tem algo de mim, no sentido  e na forma como observo, absorvo e penso o que me rodeia. Assim sendo, não posso dizer que estas imagens surgiram de uma só ideia, mas sim de várias! O que posso afirmar é que me inspirei em anúncios televisivos diversos, desde cervejas, detergentes, óleos de cozinha, carros, telenovela, o canal MTV, etc. É a partir do conjunto dessas influências que nasce o pensamento crítico que  é transmitido nesta série “Família”, pois para mim, os anúncios publicitários são veículos que reflectem muito bem a nossa sociedade. Quanto ao processo criativo propriamente dito, após um primeiro período de observação e pesquisa, nasce a vontade de partilhar ou expulsar o que vai cá dentro, mas que ainda não tem por vezes uma forma concreta!  Por exemplo, as máscaras e as situações encenadas foram modos descobertos à posteriori para transmitir as idéias!

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ABP – Nota-se trabalho de “produção” a vários níveis, conta-nos um pouco da feitura das imagens.

CA – De um modo prático, a maior dificuldade na realização das imagens foi pela tentativa em me aproximar o mais possível ao que imaginei nos momentos de criação. Nessa tentativa de mostrar os pormenores, nem sempre  consegui operacionalizar tudo, porque houve imagens que surgiram na minha cabeça  totalmente completas e detalhadas, mas que depois por factores vários não foi possível realizar do modo imaginado! Quando isso não aconteceu, tentei encontrar a pessoa que melhor se adequasse à personagem e encontrar espaços viáveis. Por exemplo, a imagem na piscina, eu queria transmitir a competitividade feminina, tinha idealizado a situação numa piscina de competição, mas como houve autorizações que estavam a tardar muito em sair e outras que nunca  cheguei sequer a obter resposta, tive que procurar alternativas, acabando por encontrar a piscina que utilizei e assim, adaptar toda a ideia a um novo espaço. Ou seja a maior dificuldade foi fazer com que tudo o que foi pensado se tornasse realidade, sem fugir à ideia inicial!

Desta forma, esforcei-me para que a iluminação, guarda roupa, adereços, cor e personagens estivessem todos em concordância, sendo que a única coisa que não tive a possibilidade de fazer foram as máscaras das partes do corpo. De resto, todos os elementos foram por mim tratados e compostos,  tendo surgido como resultado do que aprendi nos últimos três anos do curso que frequentei na ETIC, parte técnica e comunicação visual, bem como das minhas experiências pessoais!

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ABP – Já acabaste o curso, tens conseguido viver da fotografia?

Ao que parece essa é que é afinal a parte mais difícil! Na verdade, ainda não tive muito tempo para me organizar na procura de trabalho. Primeiro, porque após o terminus do curso, fui convidada a participar no projecto Leonardo Da Vinci, que me possibilitou ter estado os últimos meses do ano em Málaga em estágio. Até ao momento, os currículos e portfolios enviados na área de publicidade e moda, não obtiveram uma resposta totalmente positiva para mim. Deste modo, vou colaborando numa empresa familiar na área de reportagens, www.gloriaguiam.com.

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