Corine Vermeulen: Living with Mies

Duas fotografias são sempre melhor que uma. Nem sempre, mas é uma frase conveniente neste caso. A imagem que olha para dentro e a que olha para fora. Embora a noção de dentro e fora seja em fotografia sempre uma noção de superficie, é esse jogo que se estabelece entre uma e outra imagem que lhe confere profundidade. Muitas vezes surge a interrogação sobre quem “fala”, na fotografia de teor documental, é o fotógrafo, ou deveria ser o fotografado? Uma nota interessante nestes dipticos é a de que a segunda imagem vê (mostra) aquilo que o retratado vê, pelo que já é uma forma, metafórica sem dúvida, de dar a ver como o outro vê o mundo, ou pelo menos, qual é o mundo que o outro vê. Este jogo curioso entre a primeira imagem, o interior da casa de alguém e as vistas a partir desse lugar, na segunda imagem permite de algum modo “dar voz” ao retratado. Contudo, é apenas um racicionio especulativo, tangencialmente ligado a esta série de Corine Vermeulen, sobre a qual se pode saber mais aqui.

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