egipto: democracia e fotografia

Deter o poder de transmitir e controlar a informação, além do poder de exercer a força e a violência, parece ser aspiração maior de qualquer regime contemporâneo, mesmo daqueles se auto-proclamam democráticos. No Egipto, na Tunísia, ou anteriormente no Irão, vão-se verificando acções de restrição ou bloqueio à circulação da informação, quer sob a forma de interrupção das comunicações, quer prendendo fotógrafos, cameramen ou jornalistas, ou arrestando-lhes equipamento. Se o poder de informar está inevitavelmente ligado à imagem, a conexão entre (exercício da) autoridade e imagem pode fornecer pistas interessantes para a compreensão das linhas políticas de governo actuais.

Pesem embora as manobras delapidantes do capital de credibilidade da imagem fotojornalística ou daquela que se pretende referencial da realidade, ainda assim algo nos é dado a ver pela imagem. Não é por existir quem se dedique às artimanhas photoshopescas (deliberada ou ingenuamente) que se deixa de reconhecer à imagem uma determinada capacidade de indexação à realidade. Existe sempre algo que é visível na imagem, mas o quê, concretamente? Tendo por base as imagens que actualmente chegam do Egipto, um exercício de reflexão conduzido no sempre excelente No Caption Needed (donde foi retirada a foto acima) dirige-se a estas e outras questões, de um modo que permite pensar em vários níveis da utilidade da imagem como mecanismo de mediação.

Por último, a menção a essa terna e esperançosa imagem que encima este post, devolvendo-nos a nossa própria história, em que os tanques invadiram também a rua, não para atacar o povo mas para o proteger. Possam imagens deste teor augurar o melhor resultado, em que prevaleça a inteligência, a cultura e o bom senso do povo egípcio.

EN
Holding the power to transmit, manage and control information, as well as the power to exercise force and violence, seems to be the greatest aspiration of any contemporary government, whether they proclaim themselves democratic or not. In Iran last year, in Egypt and Tunisia now, can be observed actions to restrict or block the flow of information, either in the form of communications breakdown, arresting photographers, cameramen or journalists, or seizing their gear. If the power to inform is inevitably linked to the image, the connection between (exercising) authority and image can provide interesting clues for understanding the political lines of government today.

Despite dilapidating maneuvers of the credibility adressed to the photojournalistic image or the one merely intended to be referential to reality, yet we are given something to see in the picture. Even though the existence of photoshop tricksters (whether be they deliberate or naive) it’s impossible to not recognize the image indexing capacities to reality. There is always something visible in the picture, but what, exactly? Based on the images that currently arrive from the situation in Egypt, a reflection conducted at the always excellent No Caption Needed (from which we took the above photo) addresses these and other questions in a way that allows us to think on various levels of usefulness of the image as a mediation mechanism.

Finally, the mention to this tender and hopeful picture that tops this post, giving us back our own portuguese history, when the tanks rolled through the streets too, not to attack people but to protect it. Might images like this one augur the best result, one in which prevails the intelligence, culture and good sense of the Egyptian people.

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