Emergentes – Encontros da Imagem de Braga 2010

A iniciativa Emergentes tem lugar de novo este ano nos Encontros da Imagem em Braga. Para quem não conhece, trata-se da oportunidade de fazer uma leitura crítica de portfolio, através do encontro de 20 minutos com cada um de 8 críticos, a seleccionar de um conjunto de 20 possíveis. Algumas alterações ao modelo do ano passado: maior número de seleccionados (de 40 passou a 70), maior custo de participação (de 60 euros passa a 110), e a principal, a atribuição de um prémio monetário, no valor de 7.500 euros.

Considerando a penúria que presentemente assola a maior parte das bolsas, ainda assim os valores da participação neste misto de revisão crítica e prémio de fotografia são mais baixos do que os praticados noutros certames do género. Todavia, talvez fosse conveniente a separação entre prémio e revisão, de modo a que se tornasse mais claro o custo de uma e outra participação, até porque a secção competitiva pode não interessar a todos. Provavelmente, a necessidade de conseguir alguma autonomia financeira para os Encontros, levou a que a Direcção optasse por novos modelos de abordagem ao financiamento, dada a dificuldade em promover nas entidades oficiais e apoiantes, o reconhecimento dos Encontros como o maior e mais conceituado evento ligado à fotografia em Portugal.

Tendo participado no ano transacto, posso partilhar algumas questões: a mais importante creio que se prende com o tempo, que me parece exíguo para cada revisão. Idealmente cada revisão deveria ter 45/50 minutos + intervalo. Na forma em que está, o cansaço entre todos é visível, mas sobretudo nos críticos, pois os fotógrafos acusarão menos face ao pico de energia obtida pelo entusiasmo em mostrar e discutir os trabalhos. Haveria menos seleccionados, provavelmente a inscrição seria mais cara, mas o evento poderia ser mais leve e profícuo para todos.

Quanto ao momento com os críticos, não existem guias para aquilo que se discute com cada um, existindo alguma disparidade na forma como engajam na revisão. Nalguns (poucos) parece existir menor disponibilidade para discutir trabalhos com que não empatizam, lateralizando a revisão para assuntos de menor interesse. Contudo, um dos pontos será justamente o de debater e críticar, goste-se ou não daquilo que se vê, afinal de contas, trata-se do trabalho dos fotógrafos e não das motivações dos críticos. Mas imagino que não seja humanamente fácil vêr num só dia de enfiada, 20, 30, 40 portfolios. Pessoalmente, não vejo tanto a revisão como uma oportunidade para ir mostrar o trabalho a pessoas com posições-chave no meio, embora essa seja sem dúvida uma parte interessante, antes considero a revisão como uma oportunidade para engajar, debater, comentar, críticar, a um nível mais elevado, com pessoas de reconhecida capacidade. É por ai que defendo que os 20 minutos são escassos, pois em se tratando de um show-case, talvez esse tempo chegue e sobre.

Algumas questões relativas á apresentação: embora não obrigatório, considero indispensável levar as imagens em papel, bem impressas, num tamanho mínimo de A4. O ano passado levei um portátil e sinceramente, creio que não é o melhor meio de apresentar imagens. Uma boa prova é fundamental, explanando e permitindo uma análise ao trabalho que o computador não permite. Quanto ao resto, empatia, disponibilidade para aceitar críticas, e cortesia. Considero também importante que se medite previamente nalgumas questões alusivas á natureza do trabalho: em que é que ele é relevante? o que é que se pretende fazer com ele? etc. Um bom artigo que ajuda a dissolver o sentido destas questões está em The Who, What, When, Where, Why, and How of Portfolio Reviews Why Should I Care – Take 2. Alguns críticos pedem esclarecimentos sobre o trabalho, muitos fotógrafos pensarão que as fotografias falam por si, mas essa é uma questão controversa. Concordo com um enquadramento prévio, se tal for questionado pelo crítico, daí a importância de antecipar estas questões.

Acima de tudo, creio que é uma excelente oportunidade para fazer amizades, criar laços profissionais, conhecer outros fotógrafos e trabalhos. Só por isso, já devia valer a pena participar nos Emergentes.

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