exploitation

19_Appearances, 2003

The issue of exploitation in photography has been raging for well over a century. I find it quite irrelevant, boring and misguided. In my opinion, it is an evasive immature mechanism for evaluating images. I would suggest that my photographs be viewed in the same way that one might look at a painting. In other words, the aesthetic issues should be noted rather than trying to figure out what my relationship is with the people. (There are far more animals in these images than people and nobody has attempted to comment on them and what they mean) The problem that photography regularly faces is that there are very few individuals who are capable of discerning the differences between so called traditional photography and fine art photography. Most of the responses I have received today indicate a lack of awareness of the artistic process and an inability to discern aesthetic meaning. I would even take the liberty of stating that most of these comments reflect an underdeveloped aesthetic psyche.

Roger Ballen, respondendo a comentários feitos a um seu recente ensaio na Burn, o qual foi aqui mencionado, no âmbito do convite de David Alan Harvey (mentor da Burn) para uma conversa aberta em caixa de comentários. Embora se possa considerar uma tonalidade potencialmente deselegante, não deixa o fotógrafo de ter alguma razão, sobretudo no que diz respeito à forma como alguns comentadores, quando em campo aberto e não moderado, revelam níveis de ignorância e insultuosidade inauditos. Contudo, seria interessante que tivesse elaborado um pouco mais a questão da exploração, além da mera asserção de que se trata de um assunto “chato, irrelevante e mal direccionado” e da menorização intelectual dos intervenientes.

Para se ter uma idéia, num dos comentários pode-se ler que “These people are vulnerable because of their situation. These photos were not designed to improve their situation. Or explain their situation. or tell us anything about them. The photos are works of art, where vulnerable people are posed like marionettes. They are mute. They are put into situations to express the photographer’s ideas, not their own. They are being exploited.” A projecção de determinadas expectativas sobre este tipo de fotografia e prática artistica, parece sugerir que para além da tonalidade irada, pouco mais se consegue obter que possa conduzir a uma análise isenta e atenta da relação entre fotógrafo e fotografado. O comentador fala sobre a vulnerabilidade dos sujeitos sem que faça grande ideia do que diz. A partir daqui e desconhecendo o âmbito da elaboração das imagens, surge de forma difícil uma categorização da exploração nesta fotografia. Mesmo sabendo mais sobre o enquadramento dos trabalhos, a ética, etc, parece por vezes que as críticas soam a mero moralismo, para o qual já só há pouca paciência.

Mas não deixa de ser um assunto importante e sobretudo intrigante, este da exploração (exploitation) na fotografia, a fazer lembrar um dos ditos mais espirituosos no que diz respeito ao imaginário marxista e liberal: “no capitalismo, o homem explora o homem, no comunismo, é ao contrário”. Por aqui passou anteriormente Roger Ballen, Boris Mikhailov, Richard Billingham e Rimaldas Viksraitis, com imagens que poderiam ser significativas a este respeito. Como diz Tony Fouhse, “Any time you frame anything, whether it be with a camera, with words or a paintbrush, you are exploiting. That’s a given. Get over it. If it offends you go look at fotos of sunsets, or flowers, or something“. Ainda dizem que o dedo do meio não serve como argumento…

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