expôr

Boa noite,

Colidi, casualmente, com o seu trabalho e fiquei deveras curioso.

Como é que o meu amigo consegue expor o seu trabalho nos locais onde já o fez? Com cunha?

Desculpe a ousadia… mas não consigo ver nada que o justifique, especialmente quando confrontado com verdadeiros talentos!!

Na expectativa de uma resposta, subscrevo-me.

Cordialmente,

( nome, do qual se mantém contudo o anonimato)

 

Decidi responder.

“Caro V…,

Esta sua interpelação, a qual por um lado atribui à capa da curiosidade e por outro, a um juizo sobre os trabalhos que apresento, pode merecer a seguinte resposta:

Quanto à sua curiosidade, as exposições aparecem porque trabalho para que tal aconteça. Não há muitos segredos, uma carta bem fundamentada sobre o trabalho que pretendo apresentar, as condições que pretendo dar e receber e a persistência até obter uma resposta. Como deve calcular, a taxa de negativas é superior às positivas. Relativamente às cunhas, essa é uma interpelação ética que deve fazer a si próprio, uma vez que não lhe compete mudar o modo como os outros possam gerir a vida deles, mas apenas zelar para que a sua decorra dentro dos príncipios que estabeleceu para si. Nesse campo, não lhe posso portanto satisfazer a curiosidade.

Quanto à ousadia ajuizante, suponho que tenha visto as exposições. Como quem expõe, expõe-se, entendo a sua opinião como expressão daquilo que é a sua posição e saber acerca do fotográfico, quiçá até de gosto. Sustenta a falta de mérito que encontra nos meus trabalhos com recurso à comparação com verdadeiros talentos, todavia não aponta quem são esses com quem o meu trabalho se possa comparar, pelo que pouco tenho para me defender, embora de qualquer modo nunca fosse essa a razão que me motivaria a uma troca de ideias. Mas posso sempre ajudá-lo, no sentido de que me contextualize na tradição em que me insiro, não vá estar a comparar-me com autores com quem o meu trabalho não tem relações. Pelo que entendo, tem ferramentas suficientes para o fazer, pelo que me dispenso de elaborar sobre isso. Contudo, admito que a minha linguagem está ainda em fase de afirmação, quiçá enveredando (com e sem medo) por algum experimentalismo, próprio de quem está no início. Esse risco é também para mim a essência da Fotografia, pois além de poder fazer pensar, pode também divertir não apenas quem a faz, mas também quem a vê. Lamento que não se tenha divertido. Pelo menos pensou nalguma coisa. Talvez mais no que rodeia o processo, do que no trabalho em si. Pelo menos é o que depreendo da nula sustentação analítica e ajuizante sobre o trabalho, não obstante a comparação com os verdadeiros talentos.

Na expectativa de ter contribuido para o seu esclarecimento

João Henriques”

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Comments:

December 9, 2011

É o que dá ter o trabalho na rua... Depois vem sempre um qualquer despistado que "colide casualmente" com ele. Espero que o senhor V, não tenha ficado muito ferido com essa colisão, e muito menos com a tua resposta, ou irá sofrer muitas mais maleitas com outras tantas "colisões" que se sujeita a ter. :-) Sarcasmos à parte (que são da minha inteira responsabilidade e não do autor deste blog), cada um é livre de ter a opinião e gostos que quiser, mas já agora, talvez aconselhem as verdadeiras regras da boa educação (e não somente as do discurso falsamente polido) que, quando se interpela alguém dessa forma em público, se justifique minimamente porque se o faz. Como tal, independentemente de gostos, amizades ou cunhas, considerei a resposta do autor deste blog verdadeiramente correcta e à altura do desafio. Por isso deixo aqui o meu apoio público, embora ninguém mo tenha pedido nem necessite dele.

joaoh
December 9, 2011

muito agradecido pelo apoio público, sr Barrinha.

Sofia Silva
December 9, 2011

Que pérola! É lindo! Este V. parece estar no bom caminho para ir fazer apreciações para o Ípsilon, em que as críticas assentam precisamente em juízos ácidos, que subentendem uma moral comum e que têm como objectivo veicular a visão ultra-personalizada daquele que escreve (desculpa a comparação, mas o Ípsilon de hoje tirou-me especialmente do sério.) Tenho, de certa forma, pena, que a tua resposta seja tão educada porque pouco lhe adiantará. Pode ser que ele se junte aqui a partilhar as suas preocupações. Boa fim-de-semana

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