Friedlander, Lacy ou a rábula dos bons velhos tempos

©jh2001 Steve Lacy


«
Philip Larkin was dismayed by the death of Duke Ellington in May, 1974. “Let us bury the great Duke,” he wrote to a friend, “I’ve been playing some of his records: now he and Armstrong have gone jazz is finally finished. (…) Lee Friedlander remembers his friend Steve Lacy saying that the time when he was cutting his teeth in the 1950s was a “Golden Age of jazz because all the giants were alive.” And Friedlander himself saw a parallel with his own medium: in 1950, he said, “85 percent of the history of photography were living people.” By the Lacy-Friedlander standard Larkin was right. But Friedlander’s point is misleading because history doesn’t stop. (Plenty of important photographers weren’t even born back in 1950.) The tradition keeps extending itself even if, in order to do so, it has to mutate into something which may not look or sound like what has gone before. Miles Davis realized this. That’s why his response to Ellington’s death was to go into the studio and record “He Loved Him Madly,” a 25-minute, partly electronic Stockhausen-inflected elegy which would have appalled Larkin. And Larkin had been complaining about jazz being over — not from when Coltrane started ruining it with his “cobra-coaxing cacophonies” but from the moment it got to be truly great: with Charlie Parker who Larkin blamed, along with those other famous Ps (Pound and Picasso) for destroying poetry and art respectively.» Geoff Dyer em “Is Photography Over?

Jazz e fotografia (i’m in heaven…). Sobretudo no Jazz a morte vem sendo anunciada pelo menos à uns 50 anos. Na música parece relativamente simples arranjar umas gavetas (bop, post-bop, neo-bop, free-bop, hard-bop, cool-bop, etc) construídas à base de uma histórica árvore genealógica. Ainda assim, uma boa parte dos músicos de vanguarda já toca em tantos registos, que se torna dificil encaixá-los aqui ou acolá, alguns recusando mesmo o epiteto de músico de jazz, aliás o mesmo se passando no campo do fotográfico, onde alguns recusam a catalogação como fotógrafos.

Como alguém diz no artigo mencionado, a categorização de estilos só parece fazer sentido para quem procura firmar ou institucionalizar alguma coisa. Para quem deseja apenas fruir, essa preocupação não se põe: A emoção de ouvir Coltrane a tocar tem alguma coisa a ver com o facto de se saber que tocou hard-bop ou free jazz? Um dos maiores criadores contemporâneos do Jazz, William Parker, toca em contextos avantgarde, freejazz, free-bop, electrónica, tribal. Qual o interesse do conhecimento prévio dessas categorias para a recepção da música?
À semelhança com o Jazz, é bem provável que em cada vez mais fotógrafos surjam “heterónimos”, que apresentam igual força em diversos registos, explorando os limites do medium ou as linhas do corpo ou da paisagem. Parece estranho é como é que dentro da abordagem fotográfica tanta gente faz ainda e sempre a mesma coisa, como se sair daquela linha fosse absolutamente proibido. Aliás outros artistas (não-fotógrafos) parecem bem menos comedidos na exploração dessas possibilidades. Será por isso que a fotografia acabou? Mas qual fotografia?

Share: Facebook, Twitter, Pinterest

Leave a Comment: