I “like” fotografia

Nos últimos tempos nem parece tanto que gosto de fotografia, mas algum cansaço e outras ocupações tem tirado o lugar à postagem mais assídua aqui no blog. O artigo de hoje incide sobre fotografia e os “social media”, blogs, redes sociais, etc.

No site LaPuraVida, a reflexão sobre o uso e a utilidade das redes sociais para os fotógrafos deu origem a um alargado número de artigos:

Neles, Bryan Formhals tece algumas considerações interessantes sobre o fenómeno, nomeadamente quando diz que os fotógrafos devem separar as águas entre auto-promoção e o acto de curadoria ou comentário, como se pode ler neste excerto “so I think it can a be a bit opportunistic if you primarily use others work to bring people to your website“. A questão do oportunismo é pertinente, embora possa ser mal interpretada, até porque parece suportada nessa tendência “americanizada” de em tudo se orientar por objectivos, dólares, maximização, negócio, produtividade, etc,. Todavia, existe no uso da Net um grau de liberdade intrínseco que desobriga os “modelos” de uma aplicação ubíqua e generalista, como o próprio autor faz questão de salvaguardar, não se colocando contudo em causa a potencialidade de Marketing disponibilizada pelo online “social media”.

O interesse notório de alguns blogs pessoais de fotógrafos parece advir precisamente da personalização do conteúdo, seja ele fotografia própria ou alheia. Contudo aceita-se que nalguns casos exista conveniência na separação de águas, sobretudo quando o fotógrafo ocupa já uma posição de proeminência em várias frentes (ensino, curadoria, comissariado, crítica de fotografia, etc,.) Nos restantes casos, ao me colocar do ponto de vista do leitor – que também sou – não apreendo qualquer prejuízo ou questionamento ético pelo facto do fotógrafo misturar trabalhos seus, com pequenas “curadorias”, entrevistas a outros autores, etc.

Aprofundando o modo auto-análise, o lema do abitpixel é assumido: fotografias, as minhas e as de todos. As consequências deste “modelo de negócio” nunca foram muito dissecadass, aliás, depois de vários anos passados como profissional do mundo da gestão, a tentação primária é a de cultivar alguma equidistância para o mundo dos negócios, modelos, objectivos, etc. O blog foi criado para aprender e partilhar aprendizagens, divulgar o meu trabalho, cultivar relações, pelo que se assume o Marketing/PR. Na linha editorial, nem tudo o que publico segue a linha da minha própria fotografia. A busca de assuntos relevantes não é enquadrada por critérios de total abrangência, pois existem outros blogs nacionais de fotografia, sustentando-se a publicação também nessa complementaridade. Mesmo se tombo de amores por algumas imagens, tentar perceber qualidades específicas do meu trabalho através da selecção publicada de terceiros, parece-me desadequado e redutor.

 

O blog como plataforma de divulgação tem funcionado para mim como um meio interessante, embora a expectativa de feedback ou de gratificação instântanea seja algo reduzida. Ao contrário, o dispêndio de tempo é bastante elevado, na construção, actualização e manutenção.

Quanto às redes sociais, a experiência partilhável é pouco analítica em termos de impacto no “negócio”. Do Twitter, fui durante algum tempo membro activo, embora hoje em dia me sirva apenas como canal para escoar os feeds do blog. A twittosfera portuguesa ganhou massa crítica devido ao interesse gerado pela possibilidade de seguir e interagir com algumas personalidades da vida nacional. Mas por cá, embora se fale numa twittesfera vibrante e dinâmica, existem poucos twitters a usar a ferramenta da forma que eu gosto: útil, concisa e informativa. Em geral discute-se política, bola, e a socialite, onde todos parecem aspirar a ter alguma coisa a dizer, mas na grande maioria dos casos a quantidade de “lixo” produzida é de tal ordem, que mesmo sob a capa de construção de relações sociais se torna completamente inaceitável e inviável. Um ou dois actores mais histriónicos, conseguem em dia prolífico entupir a timeline com actualizações constantes de “nada”. Além disso as funcionalidades são um pouco frustrantes: limite de 140 caractéres (vs 420 no facebook), ilegibilidade dos links, tendo que se clicar por vezes em várias etapas até chegar ao que se pretende, não existem listas de público-alvo, todos nos podem seguir a menos que sejam bloqueados, etc. No entanto, o modelo tem potencial, a capacidade para atrair públicos rapidamente está lá, embora neste momento se note que o follow back inicial está um pouco perdido, ou seja, é mais difícil que nos sigam de volta quando pedimos para seguir alguém. Se forem viciados em conversa, em notícias, especialistas da boca rápida, então o twitter pode ser adequado. Como forma de divulgação de conteúdos, tem especificidades que podem envolver algum empenhamento.

O Facebook é uma variante ao Twitter, mais complexo e parametrizável nas opções, em minha opinião, de muito mais fácil interacção social e até legibilidade. O peso específico da palavra “amigo” parece aqui ganhar uma dimensão mais cuidada que no Twitter, mas em qualquer dos casos parece importante reflectir sobre a forma como cada um se expõe e gere a sua privacidade. É possível usar a ferramenta em diversos níveis de envolvimento com o outro, seja ele amigo ou apenas alguém com quem se deseje estabelecer um contacto. O facto de dispôr de galerias de imagens é um valor acrescentado para a fotografia. Porém, parecem existir problemas comuns a ambas as redes nomeadamente o excesso de ruído, sendo no enatnto no Facebook mais fácil de eliminar os “excessos”. A possibilidade de chegar ao diálogo com alguém que se não conhece, é um dado novo e interessante nas redes sociais. Um questionamento profissional, educado, interessado e bem redígido, obtém regra geral um feedback do outro lado, sendo óbvio que me refiro apenas a questões profissionais.

Existe um enorme potencial para a divulgação e conexão nas redes sociais, todas estão dependentes do tempo nelas investido, o qual, sendo mal gerido, se pode tornar num autêntico buraco negro em custos de oportunidade. Ao fotógrafo actual não basta dispôr de um conjunto interessante de imagens. Noções de marketing, negócio e sobretudo paciência e persistência, também ajudam a criar e manter um rumo e um modo de vida. O “social media” é apenas mais um componente de toda essa dinâmica.

PS – Artigo recente de Marc Feustel sobre este assunto.

Share: Facebook, Twitter, Pinterest

Leave a Comment: