Julia Fullerton-Batten

Desta feita não destaco nenhuma série de JULIA FULLERTON-BATTEN, é tanta a imensidão de coisas boas que mais vale ver tudo. A base temática parece ser o feminino, trabalhada sob uma perspectiva que aparenta estar ligada à noção de narrativa, de encenação, de quadro figurativo, tudo isso entrelaçado com um olhar sobre as relações pessoais e emocionais que desprende nalguns casos um “male gaze”, que se tornaria suspeito caso fosse fotografado por um homem…
aqui falei sobre o “male gaze”, o que parece estar na mira dos defensores dessa argumentação não é a forma como foi trabalhado o sujeito, mas o “male gaze” ou “female gaze” como arma de arremesso a favor de uma suposta objectividade, um homem nunca pode fotografar objectivamente o universo feminino como uma mulher o faz, devido à “tensão sexual com o sexo oposto” e vice-versa, mas pergunta-se, seria suposto fazê-lo? Certamente não devido a uma questão de falta de empatia, nunca se trata apenas de querer calçar os sapatos do outro, ou até de compreensão e aceitação, mas ao que parece nem é por aí que vai a moda, a questão prende-se mesmo com o facto do género sexual atrapalhar a investigação, aliás só pode ser por isso que o mundo não progride, porque anda meio mundo a investigar a outra metade…

Ela perturba-me…
É o seu corpo?
Sim. O seu jeito… Ela desperta em mim um
desejo ainda indefinido.
Mais forte porque é indefinido. Um puro desejo. Um
desejo de nada.
Não quero fazer coisa alguma mas esse desejo incomoda-me… O
joelho. É o objecto do meu desejo.
Então é fácil satisfazê-lo. Ponha a mão no
joelho dela. Essa é a forma de exorcizá-lo.
Está errado. Essa é a forma mais
difícil de fazer.



em “Le genou de Claire”, de Eric
Rohmer

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Comments:

teresa
April 30, 2009

Ao invés da tua asserção de que a diferença de género " atrapalha" a investigação, eu diria antes, que é essa indefinivel incomodidade que se abeira da intranquilidade e do desejo, que enriquece olhar de quem investiga

teresa
April 30, 2009

ah, by the way.... beautiful poem

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