ligações (pouco) perigosas @ 22.05.2009

A semana passada falharam as ligações, esta semana estão de volta…

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Jacob Holdt – Homeless woman on Wall Street

Deram que falar, as fotografias e apresentações de Jacob Holdt no recente festival de Nova Iorque. Tendo começado a fotografar nos anos 70, centrou-se na questão racial na América. Algumas peculiaridades acabaram por dar um ar algo vernacular, a câmara quase obsoleta que utiliza, imagens por vezes de pouca qualidade técnica embora de uma coerência estética assinalável, e neste capitulo particular em nada devedoras  da melhor fotografia actual, o que contudo parece sinalizar a existência de uma gramática composicional contemporânea à qual pouco mais há a acrescentar, face à capacidade de intervenção limitada pelo espaço bidimensional, já totalmente esquartejado em todas as direcções possíveis e imaginárias. Percorrendo os lados mais polarizados da questão, Holdt fez-se “sócio” e amigo do Ku Klux Klan, amantizou-se com mulheres negras, acompanhou vidas, mortes, sexo, violência, droga e tudo o que se possa imaginar, numa constante proximidade com ambos os lados da moeda, onde pelos vistos encontrou os mesmo problemas, ou não fossem os humanos réplicas uns dos outros, independentemente da cor de pele. Não se tratando de um fotojornalista, antes alguém que decidiu viver e perceber o que une e polariza as questões ligadas à raça. Esta fotografia encaixa-se perfeitamente numa outra tendência – além da fotografia nocturna ontem mencionada – à qual se tem vindo a dar protagonismo durante o corrente ano, e que enaltece as imagens que mantêm um relacionamento próximo e peculiar com o quotidiano, dissecando vivências e gestos próximos e comuns, que permitam tomar contacto com a realidade próxima, por vezes pressentida mas pouco visível. Quiçá fruto de uma ubiqua crise económica, talvez geradora de uma onda de maior introspecção e necessidade de autoconhecimento, estão a ser destacados os momentos que privilegiam o contacto com o íntimo, as vivências pessoais e reais, restando saber se são actos que prenunciam uma solidariedade artistica ou apenas uma objectificação do presente, de fins meramente materiais.

«Corporizada e sensorialmente expressa com violência a crítica institucional na abjecção do urinol ou da merda de Manzoni o discurso crítico institucional institucionaliza-se. O mundo da arte aceita e incorpora com frisson e prazer a provocação. Se com Duchamp a provocação demorará tempo a ser aceite, com Manzoni é imediatamente deglutida e digerida» Se esta pequena introdução não vos espicaça a curiosidade, este artigo não vos serve a nada, O infinito ao Espelho: Arte sobre Critica (2ª Parte)

«Julgo que as artes do BPP e do BPN (as colecções que estavam no centro das atenções) não são menos podres e corruptas do que as suas práticas financeiras. E que não tem sentido salvar umas e condenar outras: elas são as duas faces da mesma moeda. As consequências da acção deste universo criminoso, e não só especulativo, devem ser pensadas quanto à sua extensão ao mundo da arte. Se tal não acontecer, a credibilidade do mundo da arte continuará de rastos e a falta de legitimidade sustentada das práticas “curatoriais”, museológicas e críticas continuará a reduzir-se cada vez mais.(…) da arte oficial de hoje que ocupa o lugar conjunto do academismo e da vanguarda, promovida por discursos críticos descredibilizados pela ausência de princípios estéticos e éticos, e pelos compromissos mercantis agenciados pelos mesmos;» Alexandre Pomar: Artes & Leilões: as colecções que temos

«By the same token you could ask why do art or documentary photographers photograph like ‘art’ (with a small a) or ‘documentary’ photographers? Why does everyone copy each other in other words? As Mayes puts it, photography (he said photojournalism but so what.) “…investigates a very limited series of tropes in a very limited series of visual approaches, becoming a self replicating machine that churns of copies of itself in perpetual motion.”» Collin Pantall, exemplar a pôr o dedo na ferida, como de costume All Photography looks alike: Stephen Mayes and Self-replicating Pictures

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