livros: cristopher anderson, capitolio

Existem muitas tentações de neutralidade ao nível do fotojornalismo e do registo documental, algumas delas relativamente bem sucedidas – ou disfarçadas – outras nem sequer fazendo grande esforço, como é o caso deste Capitolio. A agência Magnum também nunca foi conhecida por “tocar piano de luvas”, permitindo à sua vasta rede de fotógrafos um grau de liberdade que cada vez é mais raro, o que de todo merece aplauso. Retrato de uma cidade – Caracas – e no fundo de um país, governado por um pitoresco e ainda não se sabe até que ponto perigoso personagem, em cujo imaginário devem constar umas quantas boutades “vermelhas”, que terá sido quanto baste para tomar o poder e provavelmente fundar uma nova Cuba, agora que Fidel está prestes a arrumar o microfone. Os americanos que sempre gostaram de praticar os seus métodos democráticos pelas outras américas fora, tem agora mais uma oportunidade para continuar a saga. Apesar de toda a imaginação revolucionária de Chavez, os problemas do povo permanecem ou  agudizam-se, não obstante os gritinhos de emoção de alguns socialistas de sofá europeus. Mas isso é mais o que vamos sabendo pelas notícias do que propriamente por este livro, cuja riqueza assenta sobretudo na visão pessoal e menos na natureza objectiva, documental ou lá o que for que se peça que a fotografia sirva para. O fotojornalismo a preto e branco pode ser uma linguagem esgotada, estar à beira do fim por falta de incentivos comissões, etc., mas ainda se vão fazendo uns bons (ou maus consoante o ponto de vista) exemplos, de livros com “punctum” para todos os gostos.

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