lugares, memória e identidade: fukushima

On June 12, three months after the earthquake, I was given a chance to go back to my house, which was within the restricted are; to pick up my family album that was full of good old memories. During this visit, I took these pictures shown here. I didn’t want to over-dramatize the situation; I simply wanted to record the current condition of the hometown from my personal perspective as I compared the past and present in my mind.Toshyia Watanabe.

Iniciativas como a Critical Mass são geralmente demonstrativas de algumas das últimas tendências temáticas e estéticas da fotografia contemporânea. Este conjunto de imagens de Toshyia Watanabe não evidencia nenhuma pirueta formal, pelo contrário, o pacifismo nelas contrasta não só com esse ruído do que é ou parece novidade, mas sobretudo com a brutalidade do desastre que atingiu o Japão há uns meses atrás. Uma cidade verdadeiramente destroçada, cuja representação tem contudo um carácter quase irreal, mais parecendo um cenário artificial, construído e posteriormente abandonado, esvaído de vída própria e assombrado pelo vazio.

Imagens de pós-tragédia tem sido uma estratégia recorrente na fotografia contemporânea em modo documentário. Menos preocupadas com sangue e lágrimas, utilizam proveitosamente outras demonstrações que permitem ao espectador liberdade na (re)construção do evento. Esse recurso é bem evidenciado neste trabalho de Watanabe, em que mais do que o assombramento pela destruição e pelo vazio irreal, é sobretudo nas pessoas – apesar da sua ausência – que pensamos. Que impacto provocará nelas toda esta destruição, que subjuga não apenas materialmente, mas sobretudo simbólicamente? Está em causa todo o simbolismo da ligação com um lugar, consagrado através de memórias “virtuais”, as que o próprio corpo produz, e de memórias “físicas”, por ex., o álbum de família, cujo resgate dá origem a este trabalho. Esse álbum, que ganha dimensão enquanto factor de identidade, de coesão e de refirmação do grupo familiar, que não é nunca um mero repositório de nostalgia. A bela e última imagem acima, é uma demonstração sintética de todo este trajecto do fotógrafo, num gesto que embora proporcione refúgio, não deixa malgrado de ser um tentativa inglória de reconstituição/reconstrução de algo que foi severamente abalado.

 

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