mas isto é fotografia?

O BESPhoto, é um dos mais importantes prémios da fotografia portuguesa. Se em edições anteriores elegeu Helena Almeida, José Luís Neto, Daniel Blaufuks, etc., na edição deste ano as nomeações parecem ter recaído em imagens mais próximas daquilo que usualmente se pode considerar fotografia. A esse facto, não terá sido provavelmente alheia a alteração estratégica de se “lusofonizar”,  caso contrário teria (?), mais ano menos ano, que começar uma segunda volta pelos mesmos nomeados. Num artigo de opinião Alexandre Pomar afirma que pode ter sido a saída do gheto nacional com o alargamento ao espaço lusófono que trouxe uma lufada de ar fresco, pode ter sido a renovação do júri, ou só a vontade de corrigir os dislates anteriores, o certo é que a confusão mediocremente instalada se dissipou. Parece inadequado dizer que Pomar fala em prol de uma via mais ortodoxa da fotografia, até quando o próprio defende o contrário. Mas não será de todo descabido dizer que esta é a edição mais “correcta” dos últimos anos, talvez a mais próxima daquilo que muitos chamarão fotografia.

Alguma dessa decalage no gosto parece contudo residir na existência de falhas de percepção numa larga fatia de público, quanto ao facto da fotografia contemporânea albergar e/ou intersectar um conjunto amplo de práticas, onde se conjugam e cruzam estratégias e correntes artísticas que a miscigenizam com outras artes. Daí deriva uma fragmentação da ideia de fotografia, colocando até em causa o facto de se tratar de uma arte, numa deambulação que acaba por transbordar para a premiação fotográfica. O BESPhoto foi tendo uma linha de escolhas que procurava de certo modo a vanguarda nacional, em detrimento de uma aproximação mais facilmente reconhecível, algo que parece fazer este ano. Curiosamente alguns dos que diziam mal antes, continuam a fazê-lo, reforçando a ideia de que a consensualidade é uma questão complexa e sobretudo apoiando a teoria de que o gosto não é suficiente para consolidar uma idéia do que pode ser a fotografia actualmente.

Mas se o público tem diferenças de formação que por vezes colocam dificuldades em sustentar uma imagem ampla da fotografia, as instituições intermediárias tem também responsabilidade e no caso português poucas tem contribuído de forma sustentada e pedagógica para o enriquecimento do panorama fotográfico luso ou lusófono.

 

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Comments:

Infinitozero
May 22, 2011

Independentemente dos considerando se é mais fotografia ou não, e sem querer comparar com os trabalhos dos anos anteriores, parece-me que a mostra de fotos exposta actualmente no museu Berardo (CCB), deixa muito a desejar. Achei os trabalhos banais, pouco pessoais e nada originais. Admito que o portofolio dos autores possa ser melhor e mais rico, do que as fotos expostas no CCB sugerem, mas fiquei bastante decepcionado com o conjunto da exposição. E tenho pena.

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