Masahisa Fukase, The Solitude of Ravens

Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens
Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens
Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens

No final do ano passado, olhei (online) para alguns livros premiados, tendo um ou outro fixado a minha atenção, entre os quais este The Solitude of Ravens, que embora na altura não tivesse uma noção clara da força que nele me atraira, pois dei apenas uma breve vista de olhos pela pouco esclarecedora sinopse da loja que o estava a vender, claramente senti nele algo forte, que me levou a marcá-lo para posterior revisão. Após alguma pesquisa na Net, vim a perceber que um certo estado de espírito, que talvez se possa considerar negro, embora os afro-americanos lhe mudem a cor para blue, mas dizia eu, um certo estado de espírito parecia estar subjacente. Este era, é, um livro marcado por sentimentos de tristeza, de solidão, de perda, neste caso, a perda da mulher amada, com quem o fotógrafo partilhou 13 anos de casamento, e de quem eram conhecidas as alegres fotos da sua esposa enquanto casados. Após a dissolução do casamento, Fukase, que até aí perseguira uma carreira bem sucedida no mundo da moda, começou a fotografar estes corvos, que na cultura japonesa são prenunciadores de maus augúrios. Aquilo que potencialmente seria um acto catártico, talvez se tenha vindo a consumar num verdadeiro hara-kiri através do acto fotográfico, não menos belo ou criativo e se existe esplendor na pulsão do acto criador em face da perda, ou mais poéticamente, uma art of losing love, então este sublime exemplar representando dez anos de trabalho, faz-lhe inteira justiça. Numa analogia talvez um pouco desproporcionada, vem-me à mente Nicholas Cage, em Leaving Las Vegas (1995), filme que empatiza com a vontade de morrer através do suicídio alcoólico, aqui o fotógrafo parece auto submeter-se a um suícido fotográfico, aliás basta dizer que pouco depois da publicação do livro, entrou em coma do qual não recuperou, ainda que alguma pesquisa no Google evidencie dados um pouco contraditórios.

Esta está a ser a semana da fotografia sombria aqui pelo blog, com o Ballen e o Witkin da 2ª feira, embora esta não seja o tipo de fotografia que possa denotar grandes paralelos com o meu trabalho, aprecio sobretudo a intensidade com que a mesma se me apresenta, bem como as polaridades e os opostos em relação ao que persigo, pois vejo a evolução como um desafio de integração e de transcendência.

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Comments:

teresa
February 12, 2009

perturbantemente belo.Fez-me pensar noutro Japonês que vivenciou a perda amorosa de forma diferente. Nobuyoshi Araki, este encarou e fotografou a morte da sua mulher até á exaustão. Após o que, só teve vontade de fotografar Vida.

February 12, 2009

"toda a beleza é terrível..."

Joao Henriques
February 13, 2009

Rilke?

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