mystery of monsters


 

O lado mais infantil do abitpixel é sempre estimulado por Jan van Holleben, que passou por cá há justamente 3 anos. Retorna agora aqui com estes misteriosos monstros, prontos a saltar de debaixo da cama a qualquer momento. Mas desconfio que não seja disso que trata este insólito paralelismo traçado na introdução, “Like amateur pornography, the pleasure of von Holleben’s work derives from its honesty.” O espanto não se deve a nenhum puritanismo pueril, afinal de contas o universo infantil pode ser tão primário na sua urgência, expressão e fantasia, quanto o da sexualidade, ainda que haja quem – ingenuamente – diabolize um e angelize outro. Ainda assim a comparação não parece relevante, nem para o tipo de fotografia proposta, nem para o trabalho do autor – aliás por esse prisma todo o trabalho honesto se pareceria com pornografia amadora – nem sequer para a pressuposta (des)honestidade da pornografia dita profissional. Aplica-se uma variante da saudosa tirada do diácono Remédios, “habia nexexidade?”. [via nihilsentimentalgia].
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Comments:

N
October 22, 2011

Curioso João, que entenda essa frase de uma forma tão diferente. Estava aliás a ponderar fazer um post num outro blog em que escrevo, sobre as comparações possíveis (e as impossíveis) entre o Holleben e o la Chapelle, que me parece ter tudo a ver com a comparação feita nesse artigo entre a honestidade da pornografia amadora e a honestidade do trabalho do Holleben. Suponho que agora vá perder a vontade de o fazer. Como eu o vejo é que apesar da construção da realidade (em ambos os casos), não se pretende comunicar pela criação pura e dura de um universo formal e artificial que apela a uns sentidos mas não ao todo. O Holleben brinca com os sentidos mas deixa-nos fazer parte da brincadeira, dá-nos pontos de âncora e outros de fuga. O mesmo se passa com a porno caseira. Não nos sentimentos fora de um jogo que pertence ora à elite das estrelas, ora a dos que tão bem sabem desfrutar do grupo. Por outro lado, o la Chapelle, assim como as grandes produções de porno, é em tudo desonesto, desde o meio até ao fim. O produto que ambos vendem está enlameado dos pés à cabeça, continua sobrevivendo apenas à custa do estímulo dos próprios egos intervenientes e em nada serve a comunicação. Bom, não me quero esticar, vim só dar o mote para a discussão...

joaoh
October 22, 2011

Olá Sofia. Considero que o trabalho do Holleben é honesto, ainda que entenda que o que uns consideram honesto, outros não, sobretudo no que ao campo artistico diz respeito. O do La Chapelle nem conheço bem porque não tenho grande interesse por esse género de fotografia, mas creio que entendo o que dizes. A "pornografia", sobretudo intelectual existe e está bem, aliás basta ir a uma Paris Photo para o perceber. E não é só da área da moda que se trata. Mas mais uma vez, posso estar errado e apenas a precipitar-me num juízo de valor. Desadequado PARECEU-ME (escrevo em grande para que fique vincado que nada é definítivo) a comparação. O universo da pornografia, e parece-me que será aqui que as opiniões poderão seguir caminhos diferentes, é pornografia, seja mais ou menos caseira. Pelos vistos o autor entendeu que a caseira é honesta, por comparação à outra. Eu não fiz nenhuma comparação à pornografia, puxei à sexualidade e creio que sim, que sexo e universo infantil partilham muita coisa em comum. Mas por ter dito que a comparação seria desadequada, não quis dizer que não fosse verdadeira. Há honestidade em tudo. A questão é se ela não existe na pornografia dita pro? Existe? Não existe? Em que é que diverge da caseira? No sentido em que nos ilude quanto às possibilidades e capacidades? É cinema, ficção, apesar de por vezes parecer um (mau) documentário. Há um livro do Larry Sultan que alude a um trabalho fotográfico no coração da industria pornográfica que me lembra tudo isto. Enfim, é como dizes, dava pano para mangas. Não vim aqui para rebater um argumento. Apenas para agradecer que tenhas posto o teu. Teria que aprofundar questões relacionadas com sexualidade, pornografia, difusão, entretenimento, publicidade, que de facto davam uma discussão interessante.

N
October 23, 2011

Idem... a mim dá-me a preguiça de ter estas discussões online, não sinto que o diálogo seja produtivo para ambos os lados como o oral pode ser... Obrigado pelo feedback ainda assim, talvez um dia destes se consiga levar esta discussão para outro espaço.

joaoh
October 23, 2011

obrigado eu. pessoas que pensam profundamente a mundo e a fotografia são sempre bem vindas, online ou em presença.

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