phil toledano, america the gift shop


célula de prisioneiros insuflável, modelo Guatanamo Bay


mesa de centro, modelo Abu Ghraib


fui levado (i was rendered)

Tragicomédia em fotografia… impossível? Desde os tempos de Underground de Emir Kusturica que não via um libelo artístico sobre a guerra que me transmitisse a mesma sensação de absoluto brilhantismo na utilização do conjunto idéias/imagens, curiosamente com linhas que se entrecruzam. Aqui, a “falsa produção” dos objectos pelo artista, fundamentando a idéia de um despudorado consumo/entretenimento que atinge os mais recônditos cantos da existência humana; no filme, a angustiante farsa engendrada na fábrica/produção de armas. Em ambos os casos, juz à einsteiniana máxima de que “apenas a estupidez humana parece não ter limites”. Nestes tempos do politicamente correcto, America the Gift Shop do americano Phillip Toledano certamente a fazer engasgar alguns “punhos de renda”.
Este é também o meu post sobre a trágica guerra israelo-palestiniana e outras no mundo. Com tanta “inteligência” que por aí abunda, é quase impossível sustentar uma posição que esteja de fora de qualquer lado, sem outros argumentos que não sejam o respeito pela vida e pela morte, colectivamente ambos os povos decidem encarar ambas, lutando por causas que consideram de direito, pena que não o façam por vias mais pacíficas e adequadas. Se considerarmos o plano mental/emocional como parte da caixa de ferramentas criadora da nossa realidade, podemos aferir que a guerra parece ter sustentação no plano emocional e mental individual (e pela soma de individuos, no colectivo) pelo simples facto de se lutar contra ela, pois é apenas uma outra forma de guerra. Eu não sou a favor da guerra, mas não hostilizo os que a mandam ou nela participam, respeito-os como fazendo parte de uma consciência colectiva da qual faço parte.
As guerras resolveram até agora alguma coisa, nalgum canto do mundo, a não ser acabar com vidas, patrimónios, enfim destruição generalizada de riqueza para proveitos particulares? Existe uma massa que se alimenta de guerra, inclusivamente alguma massa pacifista, que sem ela não teria razão de existir, enquanto não houver lugar a novas vias de pragamatismo assentes na empatia, na aceitação e na compreensão de todas as partes envolvidas, não há guerra que claudique.
Share: Facebook, Twitter, Pinterest

Leave a Comment: