photobooks to the top

Com a chegada do mês de Dezembro é a enxurrada de listas de bestofs nos fotolivros. Antes assim, já é tempo do livro ser dignificado como meio de expressão privilegiado para a excelente fotografia que por aí circula, mesmo se a internet, aparentemente concorrente, acaba por ser também ela aliada no modelo de difusão e comercialização. Quantos destes livros não serão vendidos através destas nomeações? Mesmo que se tenha oportunidade de ver fisicamente alguns deles, nunca se conseguirão ver todos. Mas basta dar uma olhada pelas listas para perceber que há livros repetidamente citados, que aconselham ao amante do livro a séria ponderação acerca da compra, mesmo sem a oportunidade de os pré-visionar.

Do site americanphoto uma massiva eleição (50 títulos) que se desagrega em várias tipologias (fine art, fotojornalismo, etc) além disso misturando livros de autor, catálogos de exposição, retrospectivas, e por aí fora, numa escolha mediática e propicia aos grandes nomes e editoras, mas pouco atenta às perólas escondidas, talvez com excepção dos livros de Brian Ulrich (Is This Place Great or What), Pieter Hugo (Permanent Error) que contudo já não são própriamente desconhecidos. Pieter Hugo continua numa caminhada extremamente bem sucedida, mesmo que feita no âmbito de uma fotografia documental mais clássica, como aliás Ulrich, o que parece comprovar que o género, embora ausente dos escaparates da arte contemporânea, está vivo e de boa saúde, pelo menos no coração dos críticos e amantes do livro de fotografia. Depois de ver ambas as listas da PDN (aqui e aqui), elaboradas previamente, esta parece um resumo algo “preguiçoso” daquelas.

Duas listas de institucionais: a do jornal francês Le Monde e a do jornal inglês Guardian. A escolha francesa já aborda alguns títulos que incorporam o livro enquanto objecto que casa conteúdo, forma e função, sinal claro de que existe uma preocupação adicional em seleccionar títulos mais pensados em termos do que pode ser a amplitude actual do livro de fotografia. Alguns destes livros são de uma tradição conceptual herdeira de Ed Ruscha e Dan Graham (este último aliás nomeado num livro), que veio não só libertar a fotografia dos ideais do modernismo, ao mesmo tempo pensando o livro enquanto objecto artístico, muito além do mero repositório de imagens. Uma lista muito interessante, com algumas excelentes escolhas também do género documental, como aliás já tinha sido a do ano passado e a de 2009. Sean Hagan do Guardian opta por tonalidades mais clássicas, mas a escolha é geralmente muito considerada. Coincidência na selecção de “The Brothers” de Elyn Hoyland que já aqui se mencionara há meses atrás.

Marc Feustel é um nome bem conhecido no meio, especialista em fotografia japonsesa, blogger em eye curious. Um dos livros que menciona é justamente de um japonês, “A Criminal Investigation“, de Watabe Yukichi, que aparece também mencionado noutras listas, livro dotado de uma extraordinária capacidade narrativa, naquele que será certamente um futuro clássico do género. A lista é muitissimo pessoal, aliás patenteada no divertido género-Oscar. Toda ela muito “independente”, nem sempre se conhece (ou concorda) com o que escolhe, o que não invalida o reconhecimento perante as propostas deste profundo conhecedor.

Numa espécie de mix entre os anteriores temos a escolha do blog Claxton Projects. Depois, as escolhas (20) de Alec Soth, também através de uma divertida filtragem de livros por género (crime, comédia, drama familiar, etc), com 2 escolhas por tipo. Soth não faz grandes concessões e quase tudo o que aponta é de primeira água.

Outras listas: on almost every topic, do blogger holandês Bas Peters, e por via desse seu blog, a de Yannick Bouillis, fundador da OFFPRINT, excelente feira de livros que conheceu este ano a segunda edição, evento paralelo à ParisPhoto. A lista de Bas contém algumas coincidências com a de Soth e uma ou outra coisa independente a ter em conta. A de Yannick é a epítome do independentismo, quase só reconhecível para quem teve a oportunidade de passar em Paris e vasculhar tim-tim por tim-tim as ofertas das editoras presentes na OFFPRINT.

Irão certamente aparecer mais algumas listas, pelo que este artigo irá sendo actualizado na medida dessa aparição. Como nota final, o mercado português tem pelo menos 2 livrarias que tem tido o cuidado de trazer para Portugal alguns destes livros, a STET (Filipa Valladares e Paulo Catrica) em Lisboa e a INC (André Cepeda, Luís Palma et al) no Porto. Mesmo que a compra online represente uma alternativa, convém lembrar que são locais como estes que permitem aceder a obras, às quais doutro modo não haveria acesso. Esse facto per si, merece bem o prémio de se lá comprarem livros.

[update 1] Livros mencionados por Sebastian Hau, da LeBal, num comentário à selecção de Alec Soth:  “Canary-Mon”, by Lieko Shiga, “Let’s sit down before we go” – Bertien van Manen, “I don’t sleep” – Aya Fujioka, “Stefan Kielsznia – Ulica Nowa 3″ – Ulrike Grossarth, “Visitor” – Ofer Wolberger, “The Knife cuts through the Apple” – Adam Etmanski, “El Taco” – Guillermo Faivovich & Nicolas Goldberg, “83 days of Darkness” – Niels Stomps, “In the Picture” – Lee Friedlander, “Tristes Tropiques” – Laurence Aëgerte. Novamente uma coloração “independente”, por alguém a quem passam centenas de livros pelas mãos todos os anos, ou não fosse o gestor de uma das melhores livrarias (e sala de exposições) de fotografia de Paris, em cuja cafetaria o crumble de maçã com natas deixa saudades (agora pareço o Galopim…). Escolhas de um blogger japonês, elegendo alguns livros desse país como seria de esperar, a deixar alguma curiosidade sobre os livros de Hatakeyama e Nagase. Note-se que o livro japonês é geralmente de um cuidado extremo a todos os níveis, não raro proporcionando objectos de grande beleza.

[update 2]  Do blog Bint photoBooks uma bizarra “eleição“: a do álbum compilado pelo ex-general líbio Kadafi com fotografias de Condoleezza Rice, ex-secretária de estado norte-americana. A ditadura, unida à democracia de tendências imperalistas por via de um fetiche, naquela que será certamente a melhor escolha conceptual do ano. Por via desse blog mais algumas selecções: esta curiosa lista do site Brain Pickings, que começa fulgurantemente por exemplo com “Venus with Biceps” mas que vai perdendo “força nos braços” à medida que avançam as escolhas; outras 2 listas comentadas do site PDN, esta primeira com 10 títulos, a segunda com 29, que parecem ter tido o dom da antecipação pois são ambas de Novembro. Muitos nomes sonantes e alguns novos valores, que certamente tomarão lugar nos escaparates das FNAC’s e afins. Esta é o protótipo da lista “oficial”, que tende a privilegiar uma abordagem convencional ao livro de fotografia. Uma lista algo longa, com escolhas que vagueiam entre o coffee table, o fotojornalismo turístico e o preocupado, e a retrospectiva, não obstante um ou outro título de autor. Certamente muita fotografia de qualidade, mas pouco vanguardista noutros aspectos importantes do livro de fotografia nomeadamente aqueles que dizem respeito ao trinómio forma-conteúdo-função. A construção do livro contemporâneo deve não apenas conter fotografia e edição de excelência, mas também dar importância ao design, à impressão e acabamento, e à forma como todos os elementos que o compõem se adequam para formar um todo belo e coerente. Quem queira conhecer a fundo o que de melhor se fez este ano no livro de fotografia sob estes prismas, deverá começar por procurar noutras selecções.

[update 3] A selecção sempre refinada e muito bem documentada do blogger Joerg Colberg, com destaque na fotografia americana ou feita por americanos. Uma lista de “indies”, da Indie Photobook Library e outra da Photobookstore.

[update 4] A lista do blog B, a pender para um registo “independente” americano, talvez o Sundance da fotografia. A lista das listas, compilada por Marc Feustel, onde se destacam três livros: A Criminal Investigation, de Yukichi Watabe (Xavier Barral/Le Bal) Redheaded Peckerwood, de Christian Patterson (Mack) e Paloma al aire, Ricardo Cases (Photovision).

[update 5] Listas via facebook: do fotógrafo holandês Rob Hornstra; da livraria inglesa Claire de Rouen, da livraria inglesa Donlon Books.

[update 6] Para fechar, as escolhas da revista Time, embora não se trate bem das escolhas da revistas mas de um conjunto de personalidades convidadas, critério aliás seguido pela escolhas da Photo-Eye, e ainda as escolhas do blog Horses Think. Temos livros para o ano inteiro.

 

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