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School Affairs, 2011-2013

Série onde se cruza o lado biográfico e o regime ético da produção de imagens. Em 2011 voltei à Universidade para estudar fotografia, num momento de crise existencial – a entrada na meia idade, e vocacional, se entendermos por crise também a entrada em territórios novos, inexplorados, potenciadores de conflito, mas também de crescimento interno e transformação.

Um certo estado de incerteza e conflito, artístico e pessoal, psicológico e ontológico, confere o pano de fundo ao trabalho. As imagens circulam entre um regime escopofílico de produção e visualização de imagens do corpo feminino através  do olhar (gaze) masculino, e a experiência desse tempo e lugar, interior e exterior. A fronteira difusa entre o real, a apropriação e a ficção, bem como um investimento crescente do desejo de ver, parecem contudo conduzir a uma frustração e distorção do olhar. O desejo é  paulatinamente negado, o corpo, teima em não se mostrar, o olho é ficticio, a camera e as imagens, enquanto desejo de real mais não parecem ser que um simulacro,  um prenúncio de crise, do olhar, das imagens, do desejo.


Work crossed by the biographical and the ethical regime of image production. In 2011 I returned to the University to study photography, at a time of existential crisis – the entry into middle age, and vocational, if we understand by crisis also the entry into new, unexplored territories, potential for conflict, but also for internal growth and transformation.

A certain state of uncertainty and conflict, artistic and personal, psychological and ontological, gives the background to the work. The images circulate between a scopophilic regime of production and visualization of images of the female body through the male look (gaze), and the experience of that time and place, interior and exterior. The diffuse boundary between reality, appropriation and fiction, as well as an increasing investment in the desire to see, seems to lead however to a frustration and distortion of the gaze. The desire is gradually denied, the body insists on not showing itself, the eye is fictitious, the camera and the images point to a desire for real that seems to be nothing more than a simulacrum, a harbinger of crisis, of looking, of images, of desire.