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The Face of Another, 2009-2013

A ideia de trabalhar a relação entre máscara e identidade teve como ponto de partida a forte ligação identitária que a cidade de Torres Vedras tem com o Carnaval. Na série interagem 3 tipos diferentes de imagens: um conjunto de retratos de homens que se disfarçam de mulheres durante o Carnaval, as Matrafonas, retratos de pessoas usando máscaras e, finalmente, imagens da própria cidade.

O lado espectacular, cómico, grotesco, da encenação identitária patente nos retratos, é assumido pela ambiguidade e desvio provocado pelo disfarce, pela máscara, desvio esse que se estende à paisagem urbana, menos identitária, ou topográfica, a qual surge antes como cenário e cena onde ocorrem as transformações.

Nessa dramatização do real, joga-se com a expectativa entre o que se deveria ver e o que efectivamente se vê, sustendo-se a ideia de máscara no duplo papel teatral de persona e cena, de um espaço transitivo entre a realidade e a ficção, entre o consciente e o inconsciente, o indivíduo e a sociedade. A máscara enquanto mecanismo liminal, de defesa, de anonimato, de aparência, de simulacro, mas também de perversão e desfiguração, parece suportar a ideia de realidade como um lugar complexo, mediado por sucessivos véus.

Imagem e máscara, palavras intimas pela etimologia comum – imago, descrevendo a máscara mortuária usada nos funerais da antiguidade romana, sendo ambas mecanismos de escuridão, de regulação de luz e de visibilidade. Em ambas, o carácter de aparência, de simulacro, parece apontar para semelhante importância entre o que se mostra e o que se deixa de fora (enquadramento); ambas convocam a ilusão do real ao mesmo tempo que questionam as possibilidades do visível, sugerindo-se dessa maneira um poder que se opera não apenas através das aparências, da superficialidade do plano pictórico, mas da paradoxal sugestão de busca da profundidade através de uma superfície.

The idea of working on the relationship between mask and identity had as its starting point the strong identity connection that the city Torres Vedras has with Carnival. In the series three different types of images interact: a set of portraits of men who disguise themselves as women during Carnival, the Matrafonas, portraits of people wearing masks, and images of the city itself.

The spectacular, comical, grotesque side of the identity staging shown in the portraits is assumed by the ambiguity and deviation caused by the disguise, the mask, deviation which extends to the less identitarian or topographical urban landscape, which emerges more as a setting and scene where the transformations occur.

In this dramatization of reality, the expectation is played between what should be seen and what is actually seen, sustaining the idea of mask in the double theatrical role of persona and scene, of a transitive space between reality and fiction. between the conscious and the unconscious, the individual and society. The mask as a liminal mechanism, of defense, of anonymity, of appearance, of simulacrum, but also of perversion and disfigurement, seems to support the idea of reality as a complex place, mediated by successive veils.

Image and mask, intimate words by the common etymology – imago, describing the death mask used at the funerals of Roman antiquity, both mechanisms of darkness, light regulation and visibility. In both, the simulacrum appearance character points to similar importance between what is shown and what is left out (framing); both summon the illusion of the real and question the possibilities of the visible, thus suggesting a power that operates not only through appearances, the superficiality of the pictorial plane, but the paradoxical suggestion to search for depth across a surface.