Prix Pictet 2010

Na Galeria Les Filles du Calvaire, em Paris, está a exposição de apresentação dos nomeados ao Prémio Pictet, prémio de fotografia dedicada ao desenvolvimento sustentável, cujo tema deste ano foi o crescimento. É uma espécie de BESPhoto, bastante mais endinheirado, com a diferença de que, ao contrário do prémio nacional, onde existe um júri de nomeação e outro de atribuição, aqui as duas funções são feitas pelas mesmas pessoas, ou pelo menos, é isso que se depreende dos folhetos distribuidos. Algumas nomeações aparecem como óbvias, outras nem por isso, mas note-se o carácter eclético das mesmas onde se distinguem duas linhas: os que utilizam máquinas de grandes formatos e ampliam em acordo (Burtinsky, Epstein, Couturier, Lutter, Struth e Wolf) e o documental mais íntimo, mostrando o lado humano, ampliado em dimensões bastante mais reduzidas (Als, Jordan, Jung, Quedraogo, Tillim). É tudo uma questão de dimensão? Nem por isso, como tentarei demonstrar.

Guy Tillim foi nomeado por um trabalho algo diferente do “Avenue Patrice Lumumba“, visto em Serralves o ano passado. Embora se mantenha em África, o enfoque neste caso está mais nas pessoas, a escolha por imagens mais pequenas parece mais adequada, enquanto que no trabalho visto no Porto a questão da arquitectura tinha um papel mais importante, no entanto as ampliações apresentadas no Porto tinham uma qualidade muito discutível, provavelmente devido à ampliação excessiva. Nas imagens cujo registo aborda mais de perto o lado humano, as provas são bastante mais pequenas. Talvez se justifique pelas máquinas utilizadas de menor dimensão (35mm), que não permitem qualidade em grandes ampliações, mas contudo essa dimensão parece mais naturalmente adequada a mostrar pessoas e assim sucede em todos os autores em que mostram esse lado.

Edward Burtinsky e Mitch Epstein mostram imagens de paisagem em níveis monumentais. Apesar do tamanho, são sempre pálidas quando comparadas à verdadeira paisagem, reforçando-lhes essa dimensão um carácter de fac-simile, de artificialidade que lhes parece reduzir inclusivamente a noção de grandeza a que pretendem ascender, num perverso efeito contrário ao desejado, quase incorrendo no risco de parecer papel de parede com uma moldura à volta, ou então, um painel publicitário. Note-se contudo, que em ambos os casos as menções são de inteira justeza, em trabalhos grandemente apreciados por aqui, pelo que não está em causa a qualidade das séries ou das reproduções. Mesmo considerando o carácter de inspecção minuciosa facilitado pelas mesmas, dimensões menores chegavam muito bem, mas o mundo fotográfico está absolutamente fascinado pelo gigantismo das provas, na maioria dos casos mais aparentando mera estratégia comercial do que um real valor acrescentado.


Casos onde a dimensão parece trazer algo – ou pelo menos não prejudicar – ocorrem nas imagens de Vera Lutter e também nas de Stephane Couturier, este último apresentando imagens captadas em fábricas, resultantes da ampliação e “colagem” de dois negativos. Já Lutter apresenta o negativo directamente, resultando num registo monocromático de bonito efeito. Em ambos os casos não parece, em minha opinião, existir uma problemática tão forte nas questões de dimensão como quando a imagem mostra uma maior proximidade ao real. Quando existe essa proximidade, essa indexação mais visível, o tamanho parece vulgarizar, pelo contrário nesta imagens de natureza mais abstracta, a maior dimensão parece valorizar as imagens. É uma opinião muito particular, outros discordarão como é natural e casos existirão onde tudo poderá parecer contrário aquilo que aqui afirmo.


Termino com o meu favorito, o já aqui mencionado Chris Jordan, cujas imagens, apesar de simples, sintetizam toda a dificuldade que o “crescimento” aporta ao planeta, nomeadamente no aspecto do equívoco e do engano em que a maior parte das estratégias desse crescimento parecem assentar.

sp

Uma novidade boa para Portugal será a provável vinda da mostra deste prémio até nós, já no próximo ano. Mas mais não se pode ainda dizer…
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