“quand il me prend dans les ses bras”

autor: Willy Ronis


Os franceses amam fotografia. Atget, Brassai, Cartier-Bresson, Depardon, Ronis, Doisneau e tantos outros foram ajudando a consolidar essa atracção, que conhece o seu ponto alto em Novembro com a realização de um conjunto de eventos, potenciandos pela presença do imenso número de visitantes que aflui à cidade para se deleitar com a fotografia. Na Paris Photo, feira de arte onde se encontram as mais cotadas galerias mundiais e onde esteve a portuguesa Pente10, é o local onde se pode observar de tudo um pouco, desde as caríssimas reproduções de fotógrafos mais antigos ou de meia dúzia dos recentes que já atingiram preços elevados, até à imensidão de contemporâneos com algum estatuto, mas cujos preços são ainda relativamente baixos. Uma sensação que me deixa algum desconforto, é a de que uma boa parte destas obras parecem ser feitas a pensar num mercado específico, beneficiando do efeito de escala que lhes confere uma dimensão estética aumentada, mas cuja sensação última é a de uma espécie de brilho falso, de características que não raras vezes, roçam o decorativo.

A presença das maiores editoras de fotografia ajuda a embelezar o certame, mas a compra é desaconselhada a bolsas pequenas, pois os preços de venda são os tabelados e na Amazon consegue-se quase tudo com descontos substanciais. A excepção é feita às editoras japonesas, cujas autênticas pérolas são muitas vezes inalcançáveis de outro modo, sendo que a fotografia vinda do Japão tem autores de uma beleza muito própria e absolutamente fascinante, dos quais já citei alguns casos aqui no blog. É no entanto a oportunidade para folhear alguns exemplares, que de outro modo raramente se vislumbrarão nas livrarias portuguesas.

No âmbito do Mois da La Photo, bienal que se realiza na cidade nos anos pares, realiza-se o evento própriamente dito, com exposições de alguma dimensão e importância em cerca de 30 locais e o Mois da La PhotoOFF, evento alternativo que agrega perto de 100 locais e onde se encontram sobretudo autores menos conhecidos. Aliadas a todas estas exposiçãos, uma imensão de conferências, promoções, lançamentos, etc., que de algum modo recomendam um mês de férias em Paris, e uma semana para recuperar das ditas.

Um evento muito interessante decorreu na Offprint, feira do livro que ocorre nos 4 dias da Paris Photo, sobretudo focada nas editoras independentes e onde se pode encontrar tudo o que está ligado à fotografia impressa, desde provas, a livros, revistas, zines, etc. O nome independente aqui pode soar a pouco mas é enganador, muito do que melhor se faz hoje em dia em fotografia não passa necessáriamente pelas “grandes” editoras, a Steidl é a excepção e o ponto de referência em excelência, basta perceber que teve uma exposição exclusiva no LaMonnaie, integrada no Mois de La Photo. Mas como já mencionara, os nomes maiores do ramo da impressão estavam no Carroussel du Louvre, no âmbito da feira de arte, sendo que aqui estavam as editoras mais pequenas. Foi nesta feira que perdi a cabeça e acabei com alguns euros que levara, onde levei horas a ver livros, infelizmente de uma forma que pouco gosto que é a de folhear à pressa, e onde tive a oportunidade de conhecer alguns colegas bloggers estrangeiros e também alguns dos fotógrafos que mais admiro.

Finalizo o artigo desculpando-me pela não apresentação de imagens, mas a minha fotografia turistica é sempre tão desgraçada e escassa, que neste caso mais vale ficar quieto.

Uma segunda opinião sobre a Paris Photo de 2010? Leiam a crónica no Desenhos Com Luz.

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