Roger Balen




Não entendo ainda muito bem em que é que Roger Ballen me faz relembrar Joel Peter Witkin, este último um dos fotógrafos que me conquistou para a fotografia, com duas tremendas exposiçoes nos Encontros de Fotografia em Coimbra, a primeira na Casa das Caldeiras e a segunda quase de seguida no Palácio da Inquisição. Witkin é absolutamente inesquecível, um verdadeiro génio da fotografia do século XX, embora com uma temática algo “retorcida”, para quem o desconhece, aqui fica um pequeno portfolio. Voltando ao início do post, parecem existir algumas semelhanças na construção das fotos, abaixo uma de Witkin que Ballen poderia muito bem ter citado. Do ponto de vista da construção da imagem as semelhanças são evidentes, a atenção ao detalhe, a encenação, a não distinção do espaço psicológico figura-fundo, torna este trabalho ainda mais verosímil com o de Witkin, ainda que incorrendo na injustiça da comparação entre ambos os autores, tal é o calibre de ambas obras. A um nível mais interpretativo, já ambas as linguagens se parecem separar um pouco mais, Witkin a pender para a dissecação da pulsão entre Eros e Tanathos, em Ballen, a representação da internalizada experiência de mundos subjectivos que roçam o absurdo, a fantasia, a estranheza, o corte na linha espaço-tempo, quase a fazer lembrar também um David Lynch (cinema).

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