Ryan McGinley, Arte e Publicidade

Mencionei Ryan McGinley há uns dias atrás, aquando da visita à exposição “Listen Darling, The World is Yours” patente na Fundação Elipse em Alcoitão. Estão expostas várias fotos do autor,

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entre as quais esta que me tinha agradado pela “Lolitesca” pose (ver o artigo). Artista aparentemente “sólido” no meio fotográfico “arte contemporânea”, caso contrário não creio que estivesse representado nesta colecção, é contudo curioso que o seu trabalho apareça ligado a anúncios de moda, pois são meios que aparentemente se misturam pouco.

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À excepção da foto que apresento em cima tirada na exposição, o trabalho exposto na coleção da Ellipse deste artista está muito na linha aqui apresentada nos anúncios da Wrangler, estranhos ajuntamentos e fusões colectivas entre o humano e natureza, eivadas de um erotismo que se expõe mas que não convida a entrar, antes pelo contrário, é elitista, fugidio, inacessível, irreverente, em suma, apetecível pelos critérios actuais do desejo. O director criativo desta campanha teve olho a identificar o fotógrafo certo para o slogan certo (lembro-me sempre do disparate Nick Knight na campanha de promoção de Portugal no estrangeiro). Basta agora saber que valor acrescentado é que esta campanha trará à marca Wrangler, que ainda eu era adolescente já levava nas lonas da Lois (as miúdas ficavam com um rabo fabuloso), da Lee e depois da Levis. É incrível como é que uma marca se aguenta tanto tempo sem que ninguém dê por ela, mas para ser sincero, também não ando muito em cima do mundo da moda. O mesmo fotógrafo aparece numa outra campanha para a Converse, em associação com o estilista John Varvatos, na qual embora se mantenham alguns traços nomeadamente a irreverência, o divertimento, o group party, etc, o trabalho parece resvalar para o acessório e perde um pouco o impacto, sobretudo pelo introdução algo forçada e artificial das taglines tipo “no mas” “make love”, que embora perfeitamente integradas no anúncio, parecem querer fugir a toda a linhagem do trabalho do fotógrafo, quase o desidentificando, pois irreverência e party people é moeda corrente no mundo da moda e da publicidade associada a ela.

Certamente não é isso que vai fazer com que um corpo de trabalho singular se transforme rapidamente em algo que qualquer um poderia fazer, até porque uma vista de olhos pelo site do fotógrafo deixa perceber que este trabalho está em linha com as linhas de força que persegue, mas a mim deixa-me algumas dúvidas sobre a coerência, não apenas pelo aspecto visual, pois o corte é evidente, mas sobretudo pela significação e simbolismo, que no caso das fotos associadas ao anúncio da Wrangler me parece mais forte, mais profundo, mais visceral, enquanto que neste último caso esse potencial parece diluir-se, mesmo com o ar sério de quem se dedica a futilidades, aparentado pelos modelos.

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Interessante é sem dúvida perceber que se quebram barreiras entre as diferentes categorias do fotográfico, no caso arte contemporânea e moda, quanto a mim num exemplo bem conseguido de edição e produção fotográfica, os anúncios da Wrangler, e noutro menos conseguido, contudo apenas sob o ponto de vista do que parece ser uma certa coerência com o restante trabalho do fotógrafo.

Recursos:
Ryan McGinley

PDNPulse: Ryan McGinley’s Disturbing New Wrangler Ads

Converse John Varvatos ‘Get Chucked’ Advertising Campaign Shot By Ryan McGinley

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