Semana do Livro – Algumas escolhas

Uma escolha pessoal sobre livros de 2010.

  • portugueses
 


André CepedaOntem. Um dos melhores trabalhos da fotografia portuguesa de cariz documental dos últimos anos. Contudo, corre o risco de passar pelo anonimato, mesmo depois da nomeação ao BESPhoto do ano passado, e diga-se que quer a exposição de nomeação quer a do prémio, não permitiram entrever o conjunto que aqui estava. Fotografia de alto nível, dispensando tentações de fotojornalismo preocupado, sem falsos moralismos nem falsas promessas de marketing, nem snapshots tirados à pressa numa qualquer viagem ao estrangeiro. A pobreza, a indigência, a toxico-dependência, etc., no Portugal contemporâneo, mais concretamente no Porto, temas duros, nem sequer os meus favoritos, mas há que perceber que são notas de uma partitura mais vasta, de um tecido social do qual se forma uma comunidade, uma sociedade, e do qual, quer queiramos quer não, todos fazemos parte.


Daniel Blaufuks
Terezín. Talvez o mais “literário” dos autores portugueses contemporâneos, no que diz respeito à elaboração de livros de fotografia. Este Terezin, editado pela Steidl em parceria com a Tinta da China, aborda uma temática que lhe é muito pessoal, mas que pertence também a um largo colectivo, a do destino dos judeus às mãos dos nazis. Despoletada pela literatura de W G Sebald, esta é uma ruminação sobre a verdade das imagens, onde o valor não advém tanto das fotografias per si, mas de todo o conjunto de histórias, documentos, evocações e sensações, que nos projecta numa viagem a um passado sombrio, que muitos desejarão esquecer. Fá-lo de um modo verdadeiramente notável, devolvendo-nos um fruto brilhante do enamoramente entre a literatura e a fotografia. Mais uma vez, não posso dizer que seja tema das minhas preferências, mas como no caso do livro anterior, o que é de excelência, deve ser assinalado.

  • estrangeiros
Not Niigata 

Andrew Phelps: Not Niigata. Um livro que resultou de uma encomenda para fotografar a cidade japonesa de Niigata, provavelmente sem grandes pretensões, mas que acaba por resultar num álbum fotográfico de grande beleza. As “encomendas” nem sempre parecem resultar bem, denunciando desconexão com o lugar, desconhecimento da cultura, falta de investigação, incapacidade para atinar com um tema, resultando regra geral em obras menores nas carreiras dos fotógrafos. Eis uma excepção, que parece confirmar a regra.

Graciela Iturbide: asor

Graciela Iturbide: asor. Um livro estranho, onde o único personagem é o leitor, tantalizado a desvendar o mistério, por detrás dos sinistros olhos que o observam.  “Down the rabitt hole”, e mais não direi.

Nadav Kander: Yangtze - The Long River

Nadav Kander: Yangtze – The Long River. Mais que provável candidato aos “Óscars”. Curioso, é como da China ultimamente só vem fotografias com fundos nebulosos, embora não seja crível que os chineses tenham inventado propositadamente uma máquina, para fazer fundos para fotografias. Descontando a piada, é fotografia de grande calibre.

  • livros teóricos

 

aqui mencionara este Words Without Pictures. De uma riqueza teórica assinalável, os seus promotores conseguiram juntar um eclético conjunto de ensaios, debates e opiniões, que certamente adicionarão à compreensão da complexidade daquilo que é a fotografia actualmente. Indispensável.

The Pleasures of Good Photographs (Aperture Ideas)

 

Este the pleasure of good photographs, é também ele um prazer de leitura. Assumidamente parcial, deve por isso ser lido com um pitada de sal, não deixando contudo de nos levar por um autêntico passeio pela história do medium, proporcionado por um dos indefectíveis da fotografia “em modo documentário”, como faz questão de sublinhar.

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