the [virtual] face of freedoom

“Triumphant photos do not figure here. Or at least what triumphs there are are triumphs in the minor mode.”

Tem-se assitido recentemente ao aparecimento do museu online, sendo este TEUTLOFF MUSEUM um dos mais interessantes exemplos do museu desmaterializado, cujas virtudes não são pequenas, nestes tempos de escassez de fundos. Não se imagina o quanto pode ser onerosa uma exibição de qualidade nos dias que correm, entre custos de transporte, seguros, montagem e produção, fees para o artista, etc. Por outro lado, a possibilidade quase infinita de se juntarem virtualmente obras que de outro modo seria praticamente impossível. Evidentemente que a experiência nunca é a mesma de ver ao vivo as obras em questão, nem sequer a substitui, mas o potencial da iniciativa parece inquestionável. Se depois, do ponto de vista pragmático e programático, se erguem exposições fluídas, criativas, críticas, esse é outro assunto.

A presente exposição virtual intitula-se The Face of Freedoom e a avaliar pela 1º imagem, sempre um  momento incontornável na retórica discursiva de qualquer exibição, estamos perante uma liberdade frágil, sob escrutínio, vigiada, pelos media e pela força, depois complementada nessa mesma sala pela ideologia, pela luta, pela violência, e por uma bela peça de Christian Boltanski. Na sala seguinte, uma sequência interessante da montagem, uma imagem do fotógrafo João Silva (perdeu ambas as pernas ao pisar uma mina no Iraque), outra de Dario Mitidieri (feita no Iraque), e que fotografara no passado crianças amputadas, ambas seguidas de uma intervenção performativa da artista Regina Galindo que se fotografa a colocar um pé numa bacia ensanguentada.

Apesar de uma ou outra achega da faceta artística mais “contemporânea” o tom pende para o lado “preocupado” da fotografia, alíás o subtítulo do museu the contemporary family of man deve querer dizer alguma coisa. Passa por aí a palavra que o documentário social está morto, que o fotojornalismo também, que existe um cansaço por este tipo de imagens, etc. Pelos vistos, a Internet tem uma palavra a dizer no revidar dessas abordagens, e ainda bem, pois a pluralidade serve a todos, havendo exemplos recentes de excelência nesses campos. Uma visita virtual?

 

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