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Andy Warhol Polaroids
truman capote

Quem quiser ver a fama (de longe) pode ir ao CCB, ver a Warhol TV. Mas eu gosto mesmo é dos retratos, estão lá meia dúzia deles, nenhum das polaroids, embora a Pop Art também dê uns posters e uns brindes porreiros… Fora de brincadeiras, é impossível deixar de reconhecer a importância do trabalho de Warhol, quanto mais não seja pela persistência em consolidar o estatuto de “arte para todos” ou melhor, para todas as bolsas. Ainda assim diminuir o impacto da Pop Art (que não se resume a um artista) a uma máquina de fazer dinheiro é uma perspectiva retórica e redutora, pois o timing do movimento a par de outras questões acabou por abrir novos horizontes técnicos, de produção e comercialização artistica. Em simultâneo quebrou a “seriedade” do Expressionismo Abstracto e abriu portas ao entretenimento, praticamente a base de toda a indústria cultural actual. Mas se isso é bom ou mau, é assunto para outros desenvolvimentos.

Numa perspectiva de impacto social, Warhol vem contribuir e alimentar aspectos absolutamente contemporâneos: frivolidade, vaidade, ganância, e a sensação de que tudo vale a pena pelos quinze minutos de fama. E é sobre isso que fundamentalmente trata este “show”: Warhol e os famosos, a ambição do domínio (impossível) sobre a exposição mediática própria e alheia, a alteração da persona em presença da câmara, a ambiguidade entre pastiche e paródia.  De resto, é divertido ver o ar sério com que o Warhol conta a seguinte anedota: “Where did Prínce Charles spent his honeymoon? Indiana”. Parolismo blasé tem tempo ou nacionalidade? Não, mas é representável, como Warhol tão bem representou.

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