Wassink & Lundgren, Empty Bottles

Cruzei-me recentemente com o livro “Empty Bottles” do duo Wassink & Lundgren, que angariou o Contemporary Book Award 2007 nos Encontros de Arles. As fotos nele contidas são parcialmente encenadas, pois partem de uma garrafa estrategicamente colocada à espera que a venham recolher, acto que é fotografado sem que exista uma combinação prévia desse momento com o fotografado, uma espécie de ratoeira fotográfica que produz “apanhados”. Poderão aqui ser lidos por parte do fotógrafo sintomas de oportunismo, exploração, humilhação, etc? Ou está-se apenas a documentar uma dinâmica presente na sociedade contemporânea chinesa? Onde começa e acaba a ética artística?

Este livro deu origem a discussão forte e contrastada na Net. Em 5B4: Empty Bottles by Wassink and Lundgren, para além da crítica ao livro e respectivos comentários acerca do mesmo, observei uma vez mais, uma curiosa tendência entre alguns artistas, galeristas, curadores, livreiros e outros americanos ligados ao meio, que é a de desbragadamente desancar em autores estrangeiros cujos trabalhos não lhes caem no goto – e sobretudo se forem europeus – atitude da qual no entanto se coibem em se tratando de artistas do seu próprio país… “it’s bad for business”.
Uma outra opinião acerca deste polémico livro, esta usando até forte linguagem, pode ser vista nesta entrevista de Simon Norfolk, que me faz pensar no quanto parecemos estar por vezes ligados com aquilo de que fortemente divergimos ou reagimos; para comparação e análise, deixo o trabalho de Simon Norfolk, a ser visto também ele sob o prisma da ética na fotografia.

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